fornalhada vida

Falou Nabucodonosor e lhes disse: É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses, nem adorais a imagem de ouro que levantei? Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes, sereis, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar e  das minhas mãos? (Daniel 3:14-15).  

Não sei quantos perceberam, mas o meu caminhar nessas devocionais, é pela trilha da fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra. O texto registra um acontecimento fantástico e traz um ensino atual. Na meditação anterior, eu destaquei as palavras “se não” como regra de lealdade na vida do cristão, em tempos contemporâneos. Lembremo-nos do texto que segue a história acima: “Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (verso 18).

Todos temos lutas que exigem o poder e a ajuda do Senhor. Muitos vivem no nível de fé que faz um pedido e espera uma resposta. Quando nos deparamos com uma oração “aparentemente” não respondida, sentimo-nos esquecidos e desanimados. No entanto, é vivendo esse parêntese, que temos uma oportunidade de crescer. Quando olhamos além da resposta interesseira e vemos que Deus tem planos ainda melhores, descobrimos uma paz que “ultrapassa o entendimento”.

Todas as nossas orações devem descansar na perspectiva da vitória de Cristo sobre o mal e a morte. À luz dessa fé podemos abrir mão de nossas necessidades, certos de que Deus sabe o que é fundamentalmente melhor para nós. Mesmo que Ele não responda como gostaríamos, esse fato pode ser apenas uma vírgula no triunfante  relato da nossa aventura cristã, cuja vitória final é certa.

Deste modo, a primeira coisa que aprendemos com esses três hebreus é enfrentar a fornalha. É na fornalha que a nossa obediência enfrenta as chamas do mal no mundo. Nesse momento, faço uma pausa nessa direção para chamar a sua atenção sobre o “outro evangelho”. Há tempos atrás, quando morava na cidade de Atlanta, fui buscar um amigo numa igreja, onde ele deveria dar uma palavra sobre um determinado curso. Quando lá cheguei, pensando que tudo já havia terminado, constatei que o culto não houvera nem ainda começado. Meu amigo, no entanto, já cumprira com sua obrigação, mas por uma questão ética, ele precisava ficar até o final do culto. Eu o procurei com os olhos e o descobri. Ao seu lado havia uma cadeira vaga, e então, tomei assento. Neste exato momento, o bispo da dita igreja começa a pregar. Depois de uns dez minutos, confesso que tive vontade sair de lá. Não aguentava mais ouvir tanto disparate com relação à Palavra de Deus. Enfrentar a “fornalha” para esse evangelho, nunca! Isso é coisa do “cão”, do “capiroto”, do “coisa ruim”. Situações difíceis da vida, são repreendidas em nome de Jesus. “Eu sou mais que vencedor!” Dificuldades financeiras, jamais! Enfermidades, em tempo algum! Se você é um cristão salvo por Jesus e passa por isso, então, meu filho: você está debaixo de maldição! Aquela mensagem seguia essa linha. O pregador comentava ainda que havia ido naquele dia  ao banco e olhava para os funcionários, todos bem vestidos e imaginava-os com altos salários. Em seu íntimo, confessou: “esse lugar não é para os ímpios, é para os jovens da minha igreja”.  Quando declarou isso, vi um monte de gente em pé. Uns gritavam, outros assobiavam e outros diziam a plenos pulmões: amém! amém! Uma coisa eu constatei: eles não estão dispostos a sofrer por Jesus. Eles desejam a bênção, mas não querem o Abençoador. Eles buscam as mãos de Deus, mas não a Sua Face.

O assunto não acabou. Ainda tenho algumas coisas que compartilhar com você. Continuo amanhã, se Deus quiser. 

Para refletir: Você já sondou o seu coração com relação às coisas desta vida? Até que ponto vai a sua fidelidade a Deus? 

N’Ele que disse que deveríamos buscar as coisas lá do alto, 

Pr. Natanael Goncalves