E  já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração (1 Pedro 5:7).  

Sobre o que Pedro está falando aqui? O apóstolo está dizendo aos seus leitores que o fim de todas as coisas está próximo. Alguém pode argumentar que Pedro escreveu isso há quase dois mil anos e que todas as coisas permanecem como estão. Bem, esse argumento é falacioso e não se sustenta dentro da ótica da vida. Embora os cristãos primitivos esperassem a volta de Jesus para aqueles dias, o que ainda não ocorreu até o dia de hoje, não significa, contudo, que esta passagem não aponte para uma verdade séria e iminente. A Palavra nos afirma que a vida de um homem, na média, dura setenta ou oitenta anos, pois o que passar disso é canseira e enfado (Sl 90:10). Consequentemente, o fim de todas as coisas neste mundo, está próximo para todos. Quer seja pela volta de Jesus, quer seja pela brevidade da vida. Aliás, o autor assevera essa realidade ao registrar um pouco antes no verso 2 argumentando sobre “o tempo que vos resta na carne”, isto é, o tempo de vida. Assim sendo, Pedro nos exorta a sermos “sóbrios e vigilantes”.

Sobriedade está ligado a uma mente estável e firme. O oposto disso, segundo Pedro, é loucura. Ser “sóbrio” implica em velar e aplicar os princípios e mandamentos de Deus em nossa vida diária. Quando pensei no tema da nossa meditação, subiu-me à mente a luta que o crente enfrenta todos os dias. Não somente a batalha  contra Satanás e os demônios, mas também contra o mundo e, sobretudo, contra a nossa carne ou natureza terrena. Ser sóbrio significa fazer morrer a nossa carne e não ordenar os nossos caminhos pelas emoções e vontades. Quando somos dominados por sentimentos inerentes à nossa própria natureza, perdemos a capacidade de discernir a verdade e caminhamos pelo erro. Deixamos de provar o que Deus planejou para nós e arruinamos a possibilidade de manifestar, naquela situação, a glória de Deus. Ser dominado (a) pelas emoções é render-se a uma atração que constantemente nos assedia em diversos momentos da vida. Paulo constatou isso e registrou em Romanos 7: 18a “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum…” O que ele queria dizer? Ele constatou que a natureza do coração humano é enganosa e traiçoeira. Talvez lembrou-se de Jeremias 17.9: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Nossos sentimentos e emoções são enganosos. Não se fie neles e nem ande por eles. Ser sóbrio é discernir essa atração fatal. 

Para refletir: Você já tomou alguma atitude no calor das emoções? 

N’Ele que nos chamou para andarmos segundo a Sua vontade, 

Pr. Natanael Goncalves