Abraão

Então, disse Araúna a Davi: Tome e ofereça o rei, meu senhor, o que bem parecer aos seus olhos; eis aí os bois para o holocausto, e os trilhos, e o aparelho dos bois para a lenha. Tudo isso deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR, teu Deus, tome  prazer em ti. Porém o rei disse a Araúna: Não, porém por certo preço to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR, meu Deus, holocaustos que me não custem nada. Assim, Davi comprou  a eira e os bois por cinquenta siclos de prata ( 2 Samuel 24:22-24). 

Deus havia instruído a Davi, através do profeta Gade, que subisse à eira de Araúna e oferecesse um sacrifício ao Senhor, afim de cessar o juízo, razão de seu pecado. Quando chegou à casa de Araúna, este lhe deu a liberdade de escolher o que quisesse dentre os seus pertences para realizar o holocausto necessário. Na resposta que Davi lhe deu, observamos dois princípios importantes. Em primeiro lugar, temos que notar que o rei poderia se servir do que bem lhe parecesse. Isso era um dos privilégios da investidura que carregava. O próprio Araúna lhe ofereceu, por sua própria vontade, que tomasse livremente o que desejasse. No entanto, Davi compreendia que a um governante correspondia velar pelos direitos de outros, deixando de lado privilégios que poderiam ser, perfeitamente, legítimos. Quanto maior a autoridade, maior cautela em seu uso, para que, os que estão sob essa autoridade, não se sintam, de alguma forma, aproveitados na situação. Muitos pastores deveriam recordar que a posição que ocupam está acompanhada da responsabilidade de ser extremamente cuidados no momento de exercer algum privilégio especial com aqueles que eles pastoreiam. Em segundo lugar, Davi se recusou a tomar o que Araúna lhe ofereceu porque entendia que os sacrifícios que não custam nada, não são válidos para a vida espiritual. Este princípio possui especial importância porque, com frequência,  damos aquilo que não nos custa, mas sim, o que nos sobra. O que sobra, todavia, raramente dói, precisamente porque não o necessitamos. Mas, por que é importante que a oferta tenha uma cota de sacrifício pessoal? A resposta a essa pergunta está radicalmente ligada à mesma essência do reino de Deus. O preço para resolver a situação pecaminosa do homem foi a vida do Filho de Deus. É um preço tão elevado, porque as dimensões do problema são de gravidade absoluta. Soluções fáceis e baratas são o resultado de considerar com frivolidade a realidade do ser humano. Quem avalia com leviandade a problemática do pecado, está condenado a seguir atormentado e atado por seus devastadores efeitos na vida.  Somente quando estamos dispostos a acompanhar o sacrifício de Jesus com uma devoção que exige a negação de si mesmo, veremos um fruto genuíno em nossa vida espiritual. Davi entendia essa realidade e, por isso, ofereceu com sacrifício. 

Para refletir: Não pagamos absolutamente nada pela nossa salvação, mas porque somos salvos, pode haver custos elevados. Quem está disposto? 

N’Ele que nos resgatou com o seu precioso sangue, 

Pr. Natanael Goncalves