Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena (Provérbios 24:10). 

A situação de crise, pela qual muitos atravessam, e, seja ela de que tipo for, possui um enorme valor para a pessoa que busca crescer em sua vida espiritual. A crise nos permite avaliar o verdadeiro estado de nossas reservas espirituais. Todos nós sentimo-nos espiritualmente fortes, quando a vida nos trata bem. Nesses momentos proclamamos nossa lealdade ao Senhor e afirmamos nosso compromisso de viver conforme a Sua Palavra.  No entanto, quando a tormenta chega,   a devoção e o compromisso se evaporam. Em seu lugar fica a pergunta que tão frequentemente se ouve da boca de muitos cristãos em momentos de dificuldades: “Por que eu?”

Para a pessoa que está interessada em ver uma transformação em sua vida, a condição indispensável para esse processo, é tomar consciência das áreas que necessitam ser tratadas pelo Senhor. Como não vivemos situações que põem a nossa vida em prova, provavelmente fazemos uma ideia errada de nossa verdadeira condição espiritual. Não somente nos convencemos da existência de realidades que não são, como também não damos conta da verdadeira natureza de nossas debilidades. A crise põe um fim ao engano de nossas percepções. É na crise que temos a oportunidade de vermos tal qual somos. Nossas imperfeições, nossa imaturidade e nossa falta de santidade, serão admiravelmente revelados.   

Para entender este princípio, pense um momento no apóstolo Pedro. Na última ceia, afetado profundamente pelas fortes emoções do momento, proclamou confiantemente que daria sua vida por Cristo. Não duvidava de sua devoção, nem de seu compromisso. Todavia, quando veio a prova, não chegou sequer a confessar com seus lábios sua lealdade ao Senhor. Há dois Pedros aqui. Qual deles teria maior potencial para a obra? O primeiro ou o segundo?  O Pedro derrotado havia aprendido uma valiosa lição. Não podia confiar em seu próprio entendimento, nem em sua própria avaliação de paixão espiritual.

Como cristãos, esta verdade nos deixa duas lições importantes. Em primeiro lugar, devemos ser cuidadosos naquilo que proclamamos em tempos de abundância (bênçãos matérias e físicas). É fácil sentir-se invencível quando tudo está a nosso favor. Em segundo lugar, devemos apreciar mais o valor das situações de crise em nossas vidas. Não gostamos delas, contudo, podem produzir, como resultado, bons frutos. 

Uma observação do escritor e conselheiro cristão, Larry Crabb:  Nossa teologia é valiosa somente quando sobrevive aos ataques da dor ou das crises. Ela é saudável quando nos leva, através da dor a uma experiência de ter “mais de Cristo” e, portanto, da esperança, do amor e da alegria. 

Para refletir: Deus não está preocupado com o nosso conforto, mas com o nosso coração. Não importa o tamanho da crise, Ele a usa para conformar-nos à imagem de Cristo. Medite nisso! 

N’Ele que tem o controle de todas as coisas e que o (a) ama profundamente, 

Pr. Natanael Goncalves