Desceu, pois, Sansão com seu pai e com sua mãe a Timna; e, chegando às vinhas de Timna, eis que um filho de leão, bramando, lhe saiu ao encontro. Então, o Espírito do Senhor se apossou dele tão possantemente, que o fendeu de alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito (Juízes 14:5-6).

Temos visto várias figuras da história bíblica com contornos que expressam a visão de muitos. Quando assistimos a um filme sobre o nosso personagem acima, os atores que o interpretam são sempre musculosos e com estatura imponente. Poderiam até participar de qualquer competição de fisiculturismo que se sairiam muito bem. Se comprarmos uma daquelas Bíblias em quadrinhos para crianças, Sansão é sempre representado desse mesmo modo e, assim, todos o ilustram como um imponente gigante que inspira terror aos inimigos. No entanto, observe os versículos acima. Sansão desceu a Timna e, no caminho, um leão jovem lhe saiu ao encontro. Note que o texto bíblico nos diz que o Espírito do Senhor se apossou dele com grande poder, e o resultado foi que Sansão despedaçou-o de alto a baixo sem ter nada na sua mão. A implicação é clara: Ele não partiu o animal pela força brutal que possuía, mas porque o Espírito de Deus veio sobre ele com grande poder. O poder e a força não eram de Sansão, mas do Espírito. O que depreendemos aqui? Podemos conceber que Sansão seria uma pessoa, cujo aspecto, poderia passar totalmente despercebido. Sua aparência não seria diferente de qualquer outro ser humano, nem sua musculatura superior a de seus companheiros, pois sua força não veio dele, mas do Espírito de Deus. O modo costumeiro de como imaginamos a figura de Sansão, demonstra como é difícil para nós aceitarmos que uma obra seja completamente do Senhor. Nossa mente aceita que o Senhor potencialize as condições que já existem em cada um de nós. Desta forma, talvez, uns 60% do mérito seja nosso e uns 40% do Senhor. Vemos pessoas na igreja com seus talentos naturais e pedimos a Deus que abençoe aquilo que já existe neles. Todavia, no Reino opera um outro princípio completamente diferente. Vejamos o que nos diz Paulo: “pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Coríntios 1:27-29). Porventura, não foi sempre assim? Deus escolheu a um ancião, cujo corpo já era amortecido, para ser pai de uma nação,  a um escravo para ser primeiro ministro do povo mais poderoso da terra, a um pesado de boca e que não sabia falar, para representar a Israel nas negociações com Faraó e libertar e conduzir esse povo em direção à terra prometida e a uns ignorantes pescadores para ser os apóstolos da futura igreja.

Esse panorama ou esse modo de enxergar o texto de hoje  nos põe em uma nova perspectiva. Não há limites para aquilo que Deus quer realizar através das nossas vidas. Não importa a idade, as debilidades ou as circunstâncias. Quanto mais avessas, negativas ou irrealizáveis aos olhos do homem, tanto mais será manifestada a glória de Deus. Aleluias! 

Para refletir: Você imagina que não há futuro para você? As oportunidades já se foram? A idade chegou? Enfermidades ou problemas circunstanciais? Não importa. Entregue-se completamente nas mãos de Deus e creia que onde o homem põe um ponto final, o Senhor coloca uma virgula. 

N’Ele que não divide a Sua glória com ninguém, 

Pr. Natanael Goncalves