1 Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? 2 – Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo? – Atenta em mim, ouve-me, ó SENHOR, meu Deus; alumia os meus olhos para que eu não adormeça na morte; 4 – para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários se não alegrem, vindo eu a vacilar. 5 – Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação, meu coração se alegrará. 6 – Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem (Sl 13). 

Na devocional de hoje, quero propor-lhe uma tentativa: adentrarmos  na mente e coração de Davi para tentar entender a angústia que ele atravessava e, que, muitas vezes, pode ser a nossa. Assim sendo vamos ao exercício.

O desespero do poeta se manifesta desde as primeiras palavras. A petição quadrupla de “até quando” dá a entender que já não aguenta mais. Se dirige a Deus com muita franqueza e, até de modo irreverente, acusa-o de não lhe dar atenção. O terceiro e quarto “até quando” introduzem as outras duas causas do sofrimento: o próprio salmista e seu inimigo. Deste modo, vemos que Davi possui um problema triplo: “como conseguir o socorro divino, como lidar com suas emoções e como evitar que seu inimigo o vença.” Bem, ele toma o primeiro passo para vencer seus problemas confessando ao Senhor o seu desespero. Suas palavras do versículo 1 podem soar-nos irreverentes. Como se atreve falar assim a Deus? Por outro lado, são palavras sinceras e expressam, verdadeiramente, o que sente. Com Deus, devemos ter a mesma confiança. Quando oramos, não é lógico ocultar nossos  verdadeiros sentimentos atrás de uma piedade hipócrita. Acaso Deus não sabe o que realmente sentimos ou pensamos? O primeiro passo para buscar a liberação da angústia é sermos sinceros com Deus acerca da nossa situação de desespero. Todavia, este é somente o primeiro passo. Não podemos ficar satisfeitos com uma atitude de queixa ou lamento. Os versos 3 e 4 apontam para o segundo passo de Davi. Havendo expressado a sua  angustia, o salmista pede socorro a Jeová. O verso 3 sugere que ele padecia de uma enfermidade grave. Havia a possibilidade de morrer. Por outro lado, Davi possuía muitos inimigos políticos dentro de Israel. Por anos, Saul intentou matá-lo. Quando já era rei, vários pretendentes queriam tirar-lhe o trono. No tempo em que compôs este salmo, Davi sabia que algum inimigo seu se alegraria por sua morte.

De repente, o salmista muda de tom no verso 5. Em lugar da acusação do verso 1, ele expressa sua confiança em Jeová, que o livrará de sua aflição. Em vez de temer que seus inimigos se alegrem, ele espera sua própria alegria. Esta expressão de confiança é o terceiro passo que Davi toma para resolver o problema. A que se deve esta mudança de atitude? O Senhor não o havia curado nem tampouco afastado seu inimigo. Não obstante, inicia-se o trabalhar na outra causa  dos sofrimentos mencionados no versos 1 e 2: o autor mesmo. Os sofrimentos que o angustiavam no verso 2, dão passagem à meditação sobre a misericórdia e fidelidade de Deus. Desta forma, durante a oração de Davi, o Senhor transformou o desespero em esperança.  Esta mudança tão importante, ocorre quando oramos.  Mesmo quando o inimigo nos acusa (v.2c) e o rosto de Jeová, aparentemente, ainda não se manifestou a nosso favor (v.1), é necessário confiar n’Ele (v.5). Essa confiança deve ser confessada, mesmo antes de ver Sua resposta ao nosso clamor. Por último, nos parece que o verso 6 mostra-nos um voto de Davi. Ele promete que, quando Deus se manifestar a seu favor, ele contaria publicamente o bem que o Senhor lhe fizera. Tão certo está de que Deus o salvaria de sua aflição, que começa louvá-lo expressando a obra divina em tempo passado, como se já houvera realizado: “me tem feito muito bem”.  Em nossas orações, raramente prometemos algo a Deus pela petição que lhe fazemos.  Quando apresentamos nossas necessidades, naturalmente, pensamos no benefício que esperamos receber de sua resposta. Contudo, chegamos a pensar no que Ele deseja receber? Este voto bíblico é o quarto passo de Davi. 

Para refletir: Você está pedindo ao Senhor que o (a) livre de alguma angústia? Você já lhe disse em oração que confia em sua misericórdia e fidelidade, apesar de seu sofrimento? Em suas petições já fez algum voto ao Senhor (Ec 5:4)? 

N’Ele que está atento ao nosso clamor, mesmo quando parece demorado, 

Pr. Natanael Goncalves