Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim; então, serei sincero e ficarei limpo de grande transgressão (Salmo 19:12-13). 

A pergunta que Davi faz neste salmo pertence ao grupo daquelas que não se requer uma resposta, pois a mesma está implícita na mesma pergunta. Neste caso, a resposta é: “ninguém!” Apesar disto, a maioria de nós se mostra bastante confiante no instante em que defendemos a nossa inculpabilidade. O salmista, diferente de nós, entendia um princípio fundamental para a vida espiritual: “nenhum ser humano possui uma clara visão a respeito do real estado de seus próprios erros e sentimentos.” Esta mesma verdade foi reiterada por Jeremias, o profeta, quando afirmou que “o coração do homem é enganoso e perverso e ninguém o conhece” (Jr 17:9).  Somente poderemos discernir os nossos próprios erros através do Espírito Santo, que vive em nós. Doutra feita não poderemos fazê-lo, pois na essência do pecado, reside o engano. O que está oculto e invisível não pode ser tratado e, tem mais: essa invisibilidade pode desestabilizar nosso andar. Por esta razão Davi exclamou: “Livra-me dos que me são ocultos”. Não se supõe ser coincidência que o poeta de Deus tenha percebido a soberba  quando pensava em pecados ocultos. De todos os pecados, o mais difícil de detectar é o pecado do orgulho. Alguém fez um sábio comentário: “ninguém está tão perto de cair como aquele que, confiantemente pensa estar em pé”. Todos nós possuímos grande capacidade de ver o pecado do orgulho no próximo, porém precisamos desesperadamente de discernimento do Espírito de Deus, no momento em que examinamos nossa própria vida com relação a este tema.

Davi sabia que a soberba não confessada se converte em um senhor implacável que domina a vida de uma pessoa e a leva a abismos profundos.  Esta pessoa não terá controle sobre sua vida e, o seu amo, a soberba, se converterá na força que dita o modo de proceder em cada situação. Imagine a que ponto chega a pessoa dominada por esse sentimento chamado “orgulho e soberba”. Ninguém poderá lhe corrigir. Ninguém poderá lhe repreender. Ninguém poderá acercar-se, porque a soberba não permitirá a não ser que descubra sua própria maldade e se arrependa.

Um cristão soberbo é uma pessoa que trará sofrimento e dor àqueles que procuram convivência. O cristão maduro, no entanto, sabe que existem realidades em sua vida que ele mesmo não pode ver, mas que possuem a capacidade de neutralizá-lo. Não confiará em sua própria avaliação de seu coração. Dependerá sempre do Altíssimo e o buscará para que Ele traga à luz aquilo que está invisível a seus olhos, pois assim sendo, poderá desfrutar a verdadeira integridade. Também não terá medo de abrir-se para que outros o examinem, pois a mesma capacidade que ele possui de ver o pecado em outros é o mesmo que os outros possuem em relação à sua pessoa. 

Para refletir: Li uma frase interessante e verdadeira: “Quando o homem descobre o seu pecado, Deus o cobre. Quando o homem cobre o seu pecado, Deus o descobre. Quando o homem confessa o seu pecado, Deus o perdoa.” 

N’Ele que conhece o mais íntimo do coração humano, 

Pr. Natanael Goncalves.