dejoelhos

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus (Mateus 5:3). 

A primeira bem-aventurança identifica o ponto onde começa toda obra espiritual na vida de um homem: o reconhecimento da pobreza de nossa própria condição. Isso é o resultado de um momento de iluminação, produzido pelo Senhor, onde desaparece tudo que nos leva a crer que somos alguma coisa. Nos vemos como Ele nos vê: em estado de falência espiritual.

O melhor exemplo que temos nas Escrituras, é a história do filho pródigo. Os dias de glória, nos quais a vida era uma sucessão de festas, facilitados por sua herança recebida e um interminável desfile de admiradores, haviam ficado para trás. Sentado entre os porcos, com a roupa rasgada e suja, sentindo a dor da fome, o rapaz “voltou a si”. Chegou o momento no qual viu sua verdadeira condição e entendeu que estava absolutamente perdido e só no mundo. O reconhecimento da sua condição miserável, o levou a empreender o caminho de regresso à casa de seu pai.

Pobreza de espírito, deve-se aclarar, não se refere exclusivamente à experiência que, eventualmente, nos conduz à conversão. Antes, é uma condição que nos levará de novo ao Senhor. À medida em que transitamos pela vida, uma e outra vez caímos em posturas de soberba e altivez, as quais são contrárias ao espírito do Reino. A única esperança para nós, nestas ocasiões, será voltar a perceber a nossa real situação espiritual.

Jesus afirmou que a bênção que acompanhava esta condição era a de possuir o  Reino dos céus. Nisto, não podemos deixar de notar o marcante contraste com os conceitos do mundo, onde os reinos se conquistam com poder e violência. As ambições agressivas daqueles que chegaram às mais altas posições no mundo político, empresarial ou cultural, parecem confirmar a observação de que neste mundo não há espaço para os débeis e humildes. No âmbito espiritual, o Reino é entregue àqueles, ricos ou pobres, que reconhecem que nada são e que necessitam desesperadamente do Senhor. 

Para refletir:  “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17). 

Pr. Natanael Gonçalves