Zaqueu

Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa (Lucas 19:5).

Para o judeu dos tempos de Cristo, o personagem do publicano era um dos mais desprezíveis. A sociedade  o odiava e lhe era repugnante pelo menos por três motivos: 

1)   Colaborava com o inimigo que ocupava Israel.

 2)   Estava em contato permanentemente com os gentios.

 3)   Era notadamente corrupto. 

Zaqueu era uma espécie de chefe de alguns publicanos que, não só cobravam os impostos, como também lhe pagavam uma porcentagem dessa arrecadação. Imagine o que deve ter sido a vida desse homem. Quando caminhava pelas ruas, pouquíssimas pessoas o cumprimentavam, muitos, no entanto, o insultavam. Imagine a família desse homem. Como não deveriam sofrer por isso. A ele, estava proibido entrar e participar das atividades da sinagoga. Seus vizinhos, seguramente, o ignoravam. Onde quer que fosse, havia claras evidências de que era considerado um inimigo público.

Se exercitarmos a nossa mente vendo Zaqueu subindo em uma árvore, não poderemos deixar de estabelecer um paralelo entre a imagem de milhares de aficionados que se empurram na entrada de algum lugar especial onde se apresentam famosos. Cada um deles espera ver seus atores ou cantores favoritos. Esse é o sonho e, por ele, estão dispostos a tolerar horas de espera e de muito incômodo junto à multidão com as mesmas aspirações. Quando chegam os astros, podem vê-los durante uns quinze segundos, assim que descem do carro.

Se pudéssemos entrevistar um desses fanáticos, certamente nos diria que não havia esperança de que o seu ídolo parasse, em meio a todos, para saudar-lhe.  Para os famosos, as pessoas da multidão não existem. Não possuem o menor interesse em conhece-los. Estão tão intoxicados com a sua própria grandeza que não dá para olhar para qualquer um desses da multidão. Da mesma forma Zaqueu – a quem, absolutamente, ninguém prestava atenção – não tinha mais esperança de se encontrar com Jesus, somente desejava vê-lo. Jamais podia imaginar que o Senhor lhe dirigiria atenção. Se, ao nível da rua, ninguém lhe dava crédito, muito menos em cima de uma árvore.

Imagine, então, qual não deve ter sido o impacto em sua vida, quando Jesus se deteve e lhe chamou pelo nome, escolhendo sua casa como o lugar para pousar aquela noite? Nem em seus mais aloucados sonhos lhe poderia haver ocorrido que Jesus lhe daria atenção, quanto mais ser visitado por Ele. Assim é o nosso Deus. Ele supera todos os nossos sonhos, irrompendo em nossas vidas da maneira mais incrível e prodigiosa. Seu agir é singular e maravilhoso. Você pode conceber que sublime sensação de assombro tomou conta de Zaqueu? E, nós, quando Ele nos surpreende?   

Para refletir: A Bíblia registra algo tremendo na passagem de Efésios 3:20-21: Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém! 

Em Cristo que sempre nos surpreende, 

Pr. Natanael Goncalves