E José lhes disse: Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande. (Gn 50.19–20).

Podemos conviver com muitas dificuldades e sacrifícios, porém quando percebemos que temos sido tratados com injustiça nos sentimos traídos no mais profundo de nosso ser, especialmente quando vem daqueles que mais amamos. A agonia desta insuportável carga foi descrita por Davi no Salmo 55.12-14: “Pois não era um inimigo que me afrontava; então, eu o teria suportado; nem era o que me aborrecia que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido, mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Praticávamos juntos suavemente, e íamos com a multidão à Casa de Deus”.

O cristão maduro deverá aprender a lidar corretamente com as injustiças para evitar um processo que lhe tire a alegria e a paz. Nada ilustra isso com tanta força como a vida dos irmãos de José. Apesar de haver passado tantos anos desde aquela terrível decisão de vender José como escravo, todavia seguiam atormentados por aquilo que haviam feito, sendo presos pelo medo da vingança. Não sabemos em que momento José resolveu as devastadoras consequências de ser vendido por seus irmãos, porém o texto de hoje nos dá pistas acerca de duas coisas que haviam ajudado a José superar a crise. Em primeiro lugar, José entendia que ele não estava no lugar de Deus e que julgar a seus irmãos era algo que não lhe dizia respeito. Nossos juízos sempre estarão nublados por nossa limitada visão humana. Somente Deus julga conforme a verdade. Por esta razão, não é dado ao homem o emitir juízos contra outros. Mesmo o Filho de Deus se absteve de emitir juízo, dizendo aos judeus: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” (Jo 8:15). Em segundo lugar, José tinha uma convicção profunda de que Deus estava por traz de tudo. Isto é algo fundamental para o cristão. Com demasiada frequência nossa primeira reação em situações de injustiça é questionar  a bondade de Deus, perguntando por que Ele permitiu tal ocorrido. Passaram-se anos antes de José perceber o “bem” que o Senhor tinha em mente quando permitiu que a tragédia tocasse tão de perto a sua vida. Mas a convicção de que Deus pode converter as piores maldades em bênçãos sempre existiu, e isto guardou o seu coração da amargura e do rancor.

Para refletir: Note que belo quadro nos apresenta a passagem de hoje. José, o homem que havia sido tão injustamente tratado por seus irmãos, chora pela angústia deles. Então, fala a eles de modo carinhoso e se compromete a prover o futuro deles.  Ali está a evidência mais convincente de que Deus havia operado no mais profundo de seu ser. O ferido podia ministrar aos que o haviam ferido. Isto é graça divina!

Pr. Natanael Goncalves