Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai (Mateus 20.22-23). 

Em João 14 e 15, Jesus reiterou a seus discípulos várias vezes esta promessa: E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei,  a fim de que o Pai seja glorificado no Filho(Jo 14:13). Além da condição estabelecida, esta declaração tem inspirado gerações de filhos de Deus a orar em toda circunstância e em todo momento. No âmbito da igreja, nem sempre temos entendido o peso que possui o fato de que nossas orações devem ser “em seu nome.” Com uma inocência que, às vezes, beira o néscio, temos crido que qualquer petição que fizermos nos será concedida sempre e quando adicionamos a frase mágica no final de nossa petição: “e isto te pedimos em nome de Jesus.”

O verdadeiro sentido desta condição se pode entender melhor se imaginarmos a um pai que diz ao seu filho: “vá dizer à mamãe que eu preciso das chaves do carro”. O menino corre em direção à sua mãe e entrega a mensagem que o pai lhe deu. A mensagem não é do menino, mas de seu pai. O garoto foi, somente, o porta-voz de seu pai. Da mesma maneira, pedir algo em nome de Jesus é elevar ao Pai uma petição que o Filho faria por si mesmo se estivesse presente.

Muitas de nossas orações não recebem resposta porque não cumprem com esta condição fundamental: não estamos pedindo o que Jesus pediria se estivesse  conosco. Ainda assim, a oração não é uma atividade que tem como única finalidade assegurar a resposta da parte de Deus. A oração, a mais misteriosa das disciplinas espirituais, nos introduz em uma atividade, na qual somos transformados pelo mesmo processo de falar com o Pai. Alguém disse: “quem buscou, já encontrou.” Aqui, o que foi encontrado, o foi, no processo de orar e não  na resposta da oração.

Contudo, temos de afirmar que também nas respostas está a mão formadora de Deus. Em sua sabedoria, Ele, às vezes, nos dá o que pedimos, mesmo quando não sabemos o que estamos realmente pedindo. Nossa insistência é tal, não obstante, que o Senhor nos concede o pedido. Aos israelitas lhes concedeu um rei, porém não era o que necessitavam. Aos filhos de Zebedeu lhes concedeu beber de seu cálice, ainda que significasse algo totalmente diferente ao que eles tinham em mente. Da mesma forma, a nós, às vezes, nos responde mesmo quando não temos orado com sabedoria e discernimento. Sua resposta não implica sua aprovação, mas uma lição para aprender. 

Para refletir: Todo filho de Deus deveria se aplicar mais na atividade da oração.. Contudo, deveríamos chegar diante do trono da graça, pedindo sabedoria e o auxílio do Espírito Santo para ajudar-nos a orar. 

N’Ele que disse que deveríamos orar sempre, 

Pr. Natanael Goncalves