Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem (Hb 12:14-15).

O termo que o autor de Hebreus usa, raiz de amargura, é particularmente gráfico. A raiz de uma planta é a parte que normalmente não se vê. Desce a lugares desconhecidos e invisíveis para nós, a menos que cavemos e, às vezes, de modo profundo. No entanto, a raiz cumpre um papel de vital importância para a planta, pois a alimenta e a nutre diariamente. Da mesma maneira, uma raiz de amargura se instala em lugares escondidos e obscuros da alma. A partir deste lugar encoberto, alimenta e condiciona a vida de uma pessoa. Por essa razão, é difícil detectar exatamente onde se tem alojado, ainda que seus frutos depreciáveis sejam facilmente visíveis.

O cristão deve ser enérgico no processo de detectá-la e arrancá-la, pois, deste lugar oculto, alimenta e condiciona a vida de uma pessoa e a sua influência enferma aqueles que antes estavam sãos.  O texto acima sinaliza qual é o contexto propício para o seu surgimento: todos os conflitos e injustiças que o ser humano sofre, formam o terreno fértil para o nascimento da raiz de amargura. Por isso, o autor estimula a que ninguém se prive da graça, esse elemento divino que permite resolver corretamente as situações mais devastadoras. 

Para refletir: Jesus foi injustiçado, injuriado, caluniado e ultrajado. Se fizeram assim com Ele, por que um cristão não estaria sujeito ao mesmo? O servo não é maior que o seu Senhor (João 15.20). Sofrer uma calúnia, por exemplo, nos deixa com um sentimento de indignação, depois, se não vigiarmos, vem a amargura. A vítima desse sentimento é a alegria na vida do servo de Deus. Portanto, permita que a graça de Deus que está sobre todos os Seus filhos, te envolva e, por ela, mesmo sob a calúnia e a injustiça, triunfe na alegria.

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves