PROBLEMA: Segundo Deuteronômio 15:4, Deus prometeu que não haveria pobres entre o povo. Entretanto, o versículo 11 com clareza diz: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra”. Como uma passagem pode dizer que não haveria pobres entre o povo, e outra dizer que sempre haveria pobres na terra?

SOLUÇÃO: Para ver que não há contradição alguma, basta considerar o contexto cuidadosamente. A promessa do versículo 4 está condicionada ao fato de o povo ouvir “atentamente a voz do Senhor,” seu Deus, e cuidar “em cumprir todos estes mandamentos” que lhe era ordenado por Deus naquele dia (cf. Dt 15:5). Um dos mandamentos era que, se houvesse um pobre em Israel, as pessoas não deveriam endurecer o coração, mas sim abrir as mãos e emprestar-lhe dinheiro e bens suficientes para suas necessidades (“o que lhe falta” cf. Dt 15:8). Obviamente, se este mandamento deveria ser cumprido pelo povo, então para cada pobre haveria uma pessoa não-pobre. De modo inverso, se não obedecessem ao mandamento de Deus quanto a suprir todas as necessidades de cada pessoa pobre na terra, então os pobres nunca deixariam de existir. Não há contradição. Deus prometeu que, se as pessoas obedecessem a seu mandamento de suprir as necessidades do pobre, não haveria pobres no meio delas. A cada vez que circunstâncias adversas viessem sobre alguém, fazendo-o perder tudo e ficar na completa miséria, as pessoas da terra teriam de ir em sua ajuda e suprir as suas necessidades. O versículo 11 pode ser entendido como uma afirmação de que sempre haveria pessoas em dificuldades, precisando de assistência, e que outras pessoas seriam requeridas para suprir as necessidades daquelas. Se o povo obedecesse a Deus nesta questão, o Senhor faria a terra prosperar de tal forma que sempre haveria suprimentos em abundância para que uns atendessem às necessidades de outros. Este versículo pode ainda ser visto como um pronunciamento profético da desobediência de Israel a Deus, e da conseqüente presença contínua de pobres na terra. De qualquer modo, não há contradição alguma.