Esdras

PROBLEMA: Esdras fez com que todos os israelitas despedissem suas “mulheres estrangeiras”, porque elas estavam “aumentando a culpa de Israel”(Ed 10:10), Entretanto, quando perguntaram a Paulo se o crente deveria divorciar se de uma esposa não crente, ele disse: “se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone” (1 Co 7:12). Essas instruções não se contradizem?

SOLUÇÃO: Essas duas colocações são feitas em tempos diferentes, para pessoas diferentes e por razões diferentes. A ordem dada por Esdras aconteceu no tempo do AT, e foi dada a judeus, e a palavra de Paulo foi dada a cristãos, no tempo do NT. Os crentes do NT não mais estão debaixo das leis dadas a Israel (veja os comentários de Mateus 5:17-18). Além disso, mesmo considerando que o princípio moral contido nesse mandamento do AT ainda esteja em vigor hoje, as situações são diferentes, por três razões. Primeiro, as esposas no AT não eram apenas “incrédulas” que “consentiam” em morar com o marido, sendo “santificadas” por ele (1 Co 7:12,14). Elas eram mulheres “estrangeiras”, ou seja, provavelmente adoradoras de ídolos (cf. Ne 13:25-26), que estavam trazendo uma influência pagã sobre seus maridos. Deus disse a Salomão que suas mulheres pagãs lhe “perverteriam o coração”, para seguir “os seus deuses” (1 Rs 11:2). Segundo, aquelas mulheres não eram tão somente pagãs, mas também descendentes de Moabe e Amom (Esdras 10:30; cf. Ne 13:23) e de outras nações circunvizinhas, a respeito das quais o Senhor dissera explicitamente a Israel que não as tomassem como mulher (cf. Êx 34:16; Dt 7:3). Terceiro, é possível que elas tenham sido tomadas como segunda ou terceira mulher (cf. Ed 10:44), e Deus proibia a poligamia (veja os comentários de 1 Reis 11:1). Sendo assim, eles violaram as leis contra a poligamia (Dt 17:17) e a idolatria (Êx 20:4-5). Essa é uma situação bem diferente da que havia quando Paulo deu a instrução para um marido crente manter uma só esposa incrédula não idólatra (cf. 1 Co 7:2), se ela se dispusesse a permanecer sob a influência santificadora do marido crente.