Se o incesto é condenado, por que Abraão casou-se com sua irmã?

PROBLEMA: Abraão admitiu que Sara, sua mulher, era realmente sua “irmã” (cf. Gn 17:15-16). Contudo, o incesto é claramente denunciado como pecado em muitas passagens bíblicas (cf. Lv 18:6; 20:17). De fato, o Senhor declarou: “Maldito aquele que se deitar com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe” (Dt 27:22).

SOLUÇÃO: Abraão não estava isento de pecado, como revela a sua mentira ao rei Abimeleque com respeito a Sara (Gn 20:4-5). E de fato ele admitiu que Sara era filha de seu pai e não de sua mãe; e que ela veio a ser sua mulher (cf. Gn 20:12). Entretanto, mesmo assim, não há prova de que Abraão tivesse violado uma lei por ele conhecida, por duas razões. Primeiro, as leis do incesto somente foram dadas por Moisés 500 anos depois de Abraão. Portanto, certamente ele não poderia ser responsabilizado por leis que ainda não tinham sido promulgadas. Segundo, as palavras “irmã” e “irmão” têm um uso bem mais amplo na Bíblia, tal como acontece com os termos “pai” e “filho”. Jesus, por exemplo, foi “filho” (i.e., descendente) de Davi (Mt 21:15). “Irmã” pode significar um parente próximo, mas não necessariamente indica o grau de proximidade que damos à palavra “irmã”. Ló, sobrinho de Abraão, é chamado de “irmão” dele [“e tornou a trazer também a Ló, seu irmão…” (Gn 14:16, SBTB)]. De igual modo, “filha” pode significar “neta” ou “bisneta”. Considerando a idade que Abraão alcançou em sua vida (175 anos, Gn 25:7), é possível que ele tenha se casado com uma neta de seu pai, ou com uma sobrinha, ou com uma sobrinha-neta. De qualquer forma, não há prova de que o casamento de Abraão com Sara tenha violado qualquer lei então existente contrária ao incesto. Mas, mesmo que isso tenha ocorrido, a Bíblia simplesmente nos fornece um registro verdadeiro do erro de Abraão. Quando Deus chamou Sara de “mulher” de Abraão (Gn 17:15), ele não estava legitimando nenhum suposto incesto, mas simplesmente afirmando um fato.