Como pôde Deus abençoar Jacó, depois de ter ele enganado Labão?

PROBLEMA: Em Gênesis 31:20, o texto diz que “Jacó logrou a Labão” ou seja, enganou-o, “não lhe dando a saber que fugia”. Entretanto, Deus abençoou Jacó ao aparecer a Labão, advertindo-o de que não falasse a Jacó “nem bem nem mal” (Gn 31:24). Como Deus pôde abençoar Jacó depois de ele ter enganado Labão?

SOLUÇÃO: Primeiro, a tradução da palavra hebraica de Gênesis 31:20 não é necessariamente “enganar”. Literalmente, no hebraico a frase é: “E Jacó roubou o coração de Labão”. Esta é uma expressão idiomática hebraica que pode ser utilizada, num determinado contexto, para significar “enganar” ou “usar de astúcia”. Jacó não disse a Labão que ia sair, nem lhe disse que ia ficar. A razão por que ele saiu sem nada dizer a Labão possivelmente tenha sido o fato de que ele temia Labão (cf. Gn 31:2). Jacó tampouco tinha qualquer obrigação de permanecer com Labão, porque ele havia cumprido tudo o que fora tratado entre eles. Apesar das acusações feitas por Labão, eram justos o temor de Jacó e o seu ato de sair sem nada dizer a Labão. Segundo, mesmo admitindo-se que Jacó estivesse envolvido numa farsa, Deus não o abençoaria por causa desse pecado, mas apesar de suas falhas. Este caso é outro exemplo do princípio de que “nem tudo que é registrado na Bíblia é por ela aprovado “. Deus havia escolhido Jacó para que ele viesse a tornar-se o pai das doze tribos de Israel não porque ele fosse reto, mas por causa da graça de Deus. O Senhor pôde abençoar Jacó segundo a sua graça, mesmo sendo ele um pecador. Através da experiência de Jacó com Labão, e mais tarde seu confronto com Esaú e sua luta com o anjo do Senhor à noite, é que o caráter de Jacó foi trabalhado de forma a tornar-se um vaso adequado para o uso de Deus.