Jerció

PROBLEMA: Esta passagem afirma: “Tudo quanto na cidade havia destruíram totalmente ao fio de espada, assim o homem como a mulher, assim o menino como o velho, também o boi, as ovelhas e o jumento”. Mas como se pode justificar uma destruição tão cruel de vidas inocentes e de propriedades?

SOLUÇÃO: Primeiro, os cananeus não eram nada “inocentes”. A descrição de seus pecados em Levítico 18 é impressionante: “E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores” (v. 25). Eles estavam totalmente perdidos em sua imoralidade, “contaminados” com todo tipo de “abominações”, até mesmo com o sacrifício de crianças (vv. 21, 24, 26). Segundo, não podemos esquecer que Deus tinha dado ao povo da Palestina mais de 400 anos para que se arrependesse de sua impiedade. Ele teve toda oportunidade de se converter de sua iniqüidade. De acordo com Gênesis 15:16, Deus disse a Abraão que em 400 anos os seus descendentes voltariam para herdar aquela terra, mas que a iniqüidade do povo ainda não se havia completado. Essa afirmação profética indica que Deus não destruiria o povo daquela terra, inclusive os que moravam em Jericó, até que seus pecados os fizessem merecedores de uma completa destruição como juízo de Deus. Terceiro, quanto à matança de crianças, convém observar o seguinte: (1) Dado o estado canceroso da sociedade em que nasceram, elas não tinham chance alguma de evitar sua fatal contaminação. (2) As crianças que morrem antes da idade em que já são responsáveis vão para o céu (2 Sm 12:23). Foi um ato da misericórdia de Deus, tomá-las de um ambiente tão pervertido para sua santa presença. (3) Deus é soberano sobre a vida (Dt 32:39; Jó 1:21) e pode determinar o fim dela de acordo com a sua vontade e tendo em vista o bem final da criatura. Quarto, Josué e o povo de Israel estavam agindo de acordo com o comando direto de Deus, não sob sua própria iniciativa. A destruição de Jericó foi realizada pelo exército de Israel, que foi usado pelo justo Juiz de toda a terra como instrumento de juízo sobre os pecados daqueles povos. Conseqüentemente, quem quer que questione a justiça desse ato está na verdade questionando a justiça de Deus. Quinto, era necessário exterminar completamente a cidade e o seu povo, sem deixar nada de fora. Se alguma coisa tivesse permanecido, exceto o que foi levado à casa do tesouro do Senhor, sempre haveria a ameaça de uma influência pagã para fazer o povo desviar-se da adoração pura ao Senhor. Às vezes, uma cirurgia radical é necessária para exterminar completamente um câncer mortal do corpo de uma pessoa.