PROBLEMA: A habilidade da medicina moderna de manter a vida por meio dá transfusão de sangue é uma prática comum, que sem dúvida tem sido usada por cristãos. Entretanto, esse versículo é usado por alguns grupos religiosos, tais como as Testemunhas de Jeová, para sustentar que as transfusões de sangue não estão de acordo com a vontade de Deus.

SOLUÇÃO: Essa passagem está falando acerca da restrição do AT quanto a comer ou beber sangue (Gn 9:3-4; cf. At 15:28-29). Entretanto, uma transfusão não é nem o ato de “comer” nem o de “beber” sangue. Isso é claro em vista de vários fatos. Primeiro, muito embora um médico possa dar alimento a um paciente por via intravenosa e chamar isso de “alimentação”, não é o caso de dizer que dar sangue por via intravenosa seja também “alimentação”, já que o sangue não é recebido no corpo como “alimento”. Segundo, referir como sendo “comer” o ato de dar um alimento diretamente na corrente sangüínea é apenas uma figura de linguagem. Embora o alimento seja absorvido no sangue de uma maneira semelhante àquela feita por meio das funções digestivas normais, comer é o ato literal de tomar um alimento de maneira normal pela boca, passando pelo sistema digestivo. A razão por que as injeções intravenosas são consideradas “alimentação” é que o corpo recebe os mesmos nutrientes que ele receberia ingerindo-os normalmente. Isso é semelhante à prática de se chamar um alimento de “saudável”. O alimento não é realmente saudável, porque a saúde é uma característica dos seres vivos, não de alimentos. Mas chamamos um alimento de “saudável” porque ele proporciona saúde. Terceiro, a única maneira possível de entender a palavra “comer”, tanto no AT como no NT, é tomá-la como referindo-se ao processo de levar alguma coisa para o corpo, como alimento, através da boca e do sistema digestivo. Isso é evidente, já que a tecnologia que permitiu a aplicação de injeções intravenosas não tinha sido inventada no tempo em que aquelas passagens foram escritas. Quarto, é claro que essa passagem do AT não diz respeito primariamente ao ato de comer sangue, mas sim ao fato de que há vida no sangue. Levítico 17:10-12 torna isso claro: Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida. Portanto tenho dito aos filhos de Israel: nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrina entre vós, o comerá. As proibições em Gênesis 9:3-4 e em Levítico 17:10-12 foram primariamente dirigidas contra comer carne fresca ainda pulsando com vida, porque o sangue vivo estava ainda nela. Mas a transfusão de sangue não é o ato de comer carne com o sangue vivo ainda nela. Finalmente, a proibição em Atos não foi necessariamente dada como uma lei pela qual os cristãos teriam de viver, porque o NT ensina claramente que não estamos debaixo da lei (Rm 6:14; Gl 4:8-31). Antes, o concilio de Jerusalém teve a preocupação de aconselhar os cristãos gentios a respeitar seus irmãos judeus por meio da observação dessas práticas, para que assim não fossem “causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus” (1 Co 10:32). De qualquer maneira, a restrição de forma alguma pode ser interpretada como uma proibição das transfusões sangüíneas.