PROBLEMA: O apóstolo Paulo parece estar favorecendo a escravatura humana, ao enviar o escravo fugitivo Onésimo de volta ao seu proprietário. Mas a escravidão não é ética. É uma violação dos princípios da liberdade e da dignidade do homem.

SOLUÇÃO: A escravidão não é ética nem bíblica, e nem as ações e os escritos de Paulo aprovam essa degradante forma de tratamento. De fato, foi a aplicação dos princípios bíblicos que acabaram derrotando a escravidão. Alguns fatos de importância deveriam ser observados a respeito disso. Primeiro, desde o começo Deus declarou que todos os seres humano foram feitos à imagem de Deus (Gn 1:27). O apóstolo reafirmou isso ao declarar que somos “geração de Deus” (At 17:29) e que “de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra’ (At 17:26). Segundo, a despeito do fato de que a escravidão era sustentada nas culturas semíticas de então, a lei exigia que os escravos um dia fossem postos em liberdade (Êx 21:2; Lv 25:40). De igual forma, os servos deviam ser tratados com respeito (Êx 21:20, 26). Terceiro, Israel, que tinha estado sob escravidão no Egito, constantemente era lembrado disso por Deus (Dt 5:15), e sua emancipação tornou-se o modelo para a libertação de todos os escravos (cf. Lv 25:40). Quarto, no NT, Paulo declarou que no cristianismo “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Todas as classes sociais deixam de existir em Cristo; todos somos iguais perante Deus. Quinto, o NT proíbe explicitamente o sistema maligno deste mundo, que comercializou “corpos e almas humanas” (Ap 18:13). O comércio de escravos é algo tão repugnante para Deus, que ele profere o seu julgamento final sobre o sistema maligno que o perpetrou (Ap 17-18). Sexto, quando Paulo insta os servos com as palavras “servos, obedecei a vosso senhor” (Ef 6:5; cf. Cl 3:22), ele não está com isso aprovando a escravidão, mas apenas aludindo à situação de fato prevalecente em seus dias. Ele os está instruindo a ser bons empregados, tal como os crentes hoje em dia devem ser, mas de modo algum ele estava dando respaldo à escravidão. Sétimo, olhando com maior cuidado o texto de Filemom, vemos que Paulo não estava favorecendo a escravidão, mas na verdade a estava combatendo, pois instou Filemom, o proprietário de Onésimo, a tratá-lo como um “irmão caríssimo” (v. 16). Assim, ao enfatizar a inerente igualdade de todos os seres humanos, tanto por criação como por redenção, a Bíblia estabeleceu os reais princípios morais que foram usados para acabar com a escravidão e para restabelecer a dignidade e a liberdade de todas as pessoas, de toda cor ou grupo étnico.