PROBLEMA: Nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), Jesus parecia fazer todo o possível para evitar ter de dizer que ele era o Messias judaico. Ele preferia perguntar aos seus discípulos em particular (Mt 16:13), e às vezes exortava as pessoas que descobriam isso a “não dizer a ninguém” (veja os comentários de Mateus 16:20). Contudo, a mulher samaritana disse: “eu sei… que há de vir o Messias, chamado Cristo” (Jo 4:25). Jesus prontamente respondeu, sem que ninguém o forçasse: “Eu o sou, eu que falo contigo” (v. 26).

SOLUÇÃO: Jesus estava em Samaria, não na Judéia. Os judeus dos dias de Jesus tinham um conceito distorcido a respeito do Messias, ou seja, tinham-no como alguém que os libertaria da opressão política de Roma. Nesse contexto, Jesus era bem mais cauteloso, encobrindo um pouco suas reivindicações, de forma a fazer com que os seus discípulos gradualmente fossem tendo um conceito mais espiritual daquele que vinha para redimir o seu povo (cf. Lc 19:10; Jo 10:10). De fato, este é o motivo por que Jesus falou com tanta freqüência por parábolas, de forma que aqueles que estavam buscando verdadeiramente entenderiam, mas aqueles que tinham um falso conceito ficariam confusos. E por isso que, quando realizava milagres, algumas vezes ele exortava a pessoa a não contar a ninguém, porque não queria ser abordado por uma multidão de curiosos. Com efeito, Jesus repreendeu aqueles que, vendo-o multiplicar os pães, quiseram fazê-lo rei (Jo 6:15), declarando-lhes que eles o seguiam “não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (v. 26). Entretanto, em Samaria, onde esse falso conceito judaico de um libertador político do domínio romano, que podia alimentar as multidões, não prevalecia, Jesus não hesitou em declarar que, de fato, ele era o verdadeiro Messias. Além disso, ele disse isso apenas a uma mulher samaritana, particularmente, não às multidões de judeus na Judéia. Não obstante, Jesus declarou ser o Messias em público também, na Judéia e perante os judeus. Entretanto, geralmente sua declaração era mais encoberta, procurando fazer com que eles mesmos viessem a descobrir quem ele era. Todavia, quando a situação não era nada boa, e tornou-se necessário que Ele se declarasse diante do sumo sacerdote, Jesus explicitamente respondeu à pergunta: “És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?” com a declaração: “Eu sou [o Cristo]” (Mc 14:61-62; cf. Mt 26:64; cf.Lc 22:70).