PROBLEMA: Os cristãos evangélicos crêem que a Bíblia deve ser tomada literalmente. Mas Jesus disse: “se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos” (Jo 6:53). Isso também deve ser tomado literalmente?

SOLUÇÃO: O significado literal (i.e., real) de um texto é o significado correto, mas o sentido literal não implica que tudo deva ser tomado literalmente. Por exemplo, o sentido literal da afirmativa de Jesus “Eu sou a videira verdadeira”(Jo 15:1) é que ele é a real fonte da nossa vida espiritual. Mas não quer dizer que Jesus seja literalmente uma videira com folhas crescendo de seus braços e de suas orelhas! Um significado literal pode ser transmitido por meio de figuras de linguagem. Cristo é o real fundamento da Igreja (1 Co 3:11; Ef 2:20), mas ele não é literalmente uma pedra angular de granito, com inscrições gravadas. Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada. Primeiro, Jesus afirmou que a sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: “as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6:63). Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico. Terceiro, ele não estava falando da vida física, mas da “vida eterna” (Jo 6:54). Quarto, ele chamou a si mesmo de “o pão da vida” (Jo 6:48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6:58). Quinto, ele usou a figura do “comer” a sua carne paralelamente à idéia de “permanecer” nele (cf. Jo 15:4-5), que representa outra figura de linguagem. Nenhuma dessas figuras é para ser entendida literalmente. Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso iria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At 15:20). Finalmente, em vista do sentido figurado, esse versículo não pode ser usado em apoio ao conceito católico romano da transubstanciação, ou seja, de comer o real corpo de Jesus na comunhão (ver os comentários de Lucas 22:19).