PROBLEMA: Algumas passagens apresentam um bom argumento em favor da pena capital (de morte). Por exemplo, Romanos 13:4 diz: “porque não é sem motivo que ela [a autoridade do governo] traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Em João 8, uma mulher é surpreendida em adultério, o que era causa para apedrejamento, de acordo com a lei mosaica. Contudo, Jesus não agiu de forma a fazer com que ela morresse, mas perdoou-lhe o pecado. Daí pode-se concluir que Jesus rejeitou a pena capital?

SOLUÇÃO: Primeiro, a autoridade em Romanos 13 é o governo romano, e as autoridades em João 8 são judias. A questão é que os judeus tinham de agir conforme a lei romana. Por exemplo, se eles realmente iriam apedrejar aquela mulher, por que eles tiveram de buscar a ajuda de Pilatos na crucificação de Jesus? Pois em João 18:31 os judeus responderam a Pilatos, dizendo: “A nós não nos é lícito matar ninguém”. Mas no caso da mulher adúltera, eles estavam prontos para apedrejá-la. Segundo, eles não agiram em concordância com a própria lei. A lei dizia que os dois, o homem e a mulher, teriam de ser trazidos perante o povo (Dt 22:22-24). Desde que essa mulher tinha sido pega no próprio ato (v. 4), por que o homem não foi trazido junto com ela para ser apedrejado? Os escribas e fariseus que supostamente eram cidadãos guardiães da lei falharam num ponto chave de sua própria lei. Terceiro, os motivos que aqueles escribas e fariseus tiveram eram errados. Eles estavam usando aquela oportunidade para tentar pegar Jesus de alguma forma, para que assim tivessem uma razão para acusá-lo (v. 6). O crime de adultério não lhes parecia ser importante. Antes, parecia-lhes mais importante encontrar um motivo para acusar Jesus. Essa passagem, então, não é um bom texto para quem queira propor que Jesus se opunha à pena de morte. De fato, outras passagens das Escrituras parecem dar suporte a tal idéia (veja Gn 9:6 e Mt 26:52).