Quem são abençoados, os que vêem ou os que não vêem?

PROBLEMA: Nessa passagem Jesus diz a seus discípulos: “Bem-aventurados os olhos que vêem as cousas que vós vedes”. Entretanto, mais tarde ele lhes disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. Qual dessas afirmativas está correta?

SOLUÇÃO: Primeiro, a palavra “bem-aventurados” tem um sentido diferente em cada uma dessas passagens. No primeiro caso, ela parece significar que eles foram grandemente favorecidos porque estavam vendo aqueles milagres acontecer (cf. 10:17-19). Na passagem de João, “bem-aventurados” tem o sentido de “dignos de serem aplaudidos”, que é uma referência àqueles que creram em Cristo sem terem tido a oportunidade de pôr o dedo nas feridas do corpo ressurreto de Jesus. Além disso, mesmo que a palavra “bem-aventurados” seja entendida com o mesmo sentido, ainda há uma diferença importante no objeto daquilo a que Jesus se referiu quanto ao que foi visto e ao que não foi visto. Há uma diferença entre requerer a visão como base para se ter fé, como aparentemente foi o caso de Tome, e fazer uso da visão no processo do exercício da fé, como fizeram os discípulos.

Nada há de errado em a evidência ser usada para dar suporte à nossa fé, mas ela não deve ser usada como base para a crença. Apenas Dcus e a revelação que ele nos dá de si mesmo é a base para crer, e não evidências de milagres. Assim, devemos crer em Deus por causa de quem Ele é, não meramente por causa das evidências em seu favor. As evidências nos darão no máximo razões para crermos que Deus existe. Somente o próprio Deus, mediante nossa livre escolha, pode persuadir-nos a crer nele. Portanto, exigir que tenhamos de “ver” mais evidências antes de crer, isso diminui o mérito da fé (i.e. a bem-aventurança).