Jesus quer que cada um ame a si mesmo em primeiro lugar, e depois os outros, ou o contrário?

PROBLEMA: Jesus disse em Mateus que temos de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Mas se amarmos a nós mesmos antes do nosso próximo, isso seria pôr o “eu” antes do próximo. Jesus está ensinando que deveríamos ser egoístas?

SOLUÇÃO: Amar as outras pessoas como amamos a nós mesmos pode ser entendido de diferentes modos, mas de modo algum Jesus está dando a entender que devemos ser egoístas – A Bíblia condena os “egoístas” (2 Tm 3:2). Ela nos exorta a não considerarmos apenas os nossos próprios interesses, mas também o interesse de outros (Fp 2:4). Há três modos de entender a frase: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Primeiro, alguns crêem que Jesus está dizendo que devemos amar os outros como devemos amar a nós mesmos, ou seja, de maneira não egoística. Isso, entretanto, soa muito sutil e com a característica de uma discussão teórica, fora dos padrões do ensino normal de Jesus, feito geralmente com palavras diretas. Seria bem mais direto dizer apenas para não sermos egoístas, do que dizer para nos amarmos de modo não egoísta.

Segundo, Jesus poderia ter em mente que deveríamos amar os outros como devemos amar a nós mesmos, ou seja, adequadamente. Há um legítimo auto-respeito ou amor-próprio. Efésios nos diz para cuidarmos de nossos corpos, “porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida” (5:28-29). Não há nada de errado no legítimo cuidado de si mesmo nem no auto-respeito. A Bíblia condena quem esteja pensando “de si mesmo além do que convém”, mas o incita a pensar “com moderação” (Rm 12:3). Nesse sentido, Jesus pode estar dizendo que amemos os outros como devemos amar a nós mesmos.

Terceiro, Jesus poderia ter em mente que deveríamos amar os outros tanto quanto amamos a nós mesmos, isto é, que deveríamos medir o quanto devemos amar os outros com a mesma medida com que de fato amamos a nós próprios, não significando isso que o modo como nos amamos esteja correto. Antes, Deus pode estar simplesmente apontando para o amor próprio como sendo o padrão pelo qual devemos julgar até que ponto amar os outros. Dessa forma, haverá um monitoramento automático do nosso amor próprio, já que será com essa mesma intensidade que teremos de amar os outros também.