Por que Jesus chama outras pessoas de tolas, e ao mesmo tempo condena os que procedem da mesma forma?

PROBLEMA: Jesus disse: “Quem … chamar [a seu irmão]: ‘Tolo’, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5:22). Contudo, ele mesmo disse aos escribas e fariseus: “Tolos e cegos!” (Mt 23:17, TLH). O apóstolo Paulo, imitando, disse: “Ó galatas tolos!” (Gl 3:1; cf. 1 Co 15:36, TLH).

SOLUÇÃO: Há boas razões para o fato de haver uma forte diferença entre os dois usos do termo “tolo”. Primeiro, esse é outro exemplo do princípio de que uma mesma palavra pode ser usada com diferentes significados em diferentes contextos. Por exemplo, a palavra “cachorro” pode designar um animal como também pode ser aplicada a uma pessoa detestada. Segundo, em Mateus 5 essa palavra é usada no contexto de alguém que está “irado” com seu irmão, demonstrando ódio. Nem Jesus nem Paulo deram abrigo ao ódio para com aqueles aos quais aplicaram essa palavra. Assim, o uso que fizeram da palavra “tolo” não viola a proibição de Jesus quanto a chamar alguém de tolo. Terceiro, tecnicamente falando, Jesus ordenou que apenas um “irmão” (Mt 5:22) não fosse chamado de “tolo”, não um incrédulo. De fato a descrição bíblica do que seja um tolo é que ele é aquele que pensa assim: “Deus não existe” (SI 14:1, TLH). Em vista disso, pode-se ver a seriedade de se chamar um irmão de tolo; é equivalente a chamá-lo de incrédulo. Portanto, quando Jesus, que “sabia o que era a natureza humana” (cf. 2:25), chamou incrédulos de “tolos”, usou a descrição mais apropriada do que eles realmente eram.