Amigos ou servos? 

O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando (João 15:12-14). 

Os amigos 

Eu penso que as pessoas têm muitos conhecidos, mas poucos amigos. Basta ver as redes sociais. Por outro lado, quando falamos em amigos, até mesmo eles podem se mostrar infiéis. O que dizer de Judas? “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar” (Salmo 41:9). Acho que muitos já viveram a experiência de ter um amigo dedicado e na hora da necessidade, justamente quando mais precisamos, ele simplesmente desaparece. Pedro, Tiago e João cochilaram no jardim, quando deveriam estar orando e Pedro chegou a negar Jesus três vezes. Nossa amizade com os que nos cercam e com o Senhor é falha, mas a amizade d’Ele para conosco é perfeita. 

Círculo mais íntimo 

Não se deve, porém, interpretar a palavra amigo de maneira limitada, pois o termo grego significa “um amigo na corte”. Isso descreve o “circulo mais íntimo” ao redor de um rei ou imperador.  Os amigos do rei desfrutavam de intimidade com o monarca e conheciam seus segredos, mas também eram seus súditos e deveriam obedecer a suas ordens. Não existe, portanto, conflito algum entre ser amigo e ser servo. Nas Escrituras, Abraão é chamado de “amigo de Deus” (2 Crônicas 20:7; Isaías 41:8; Tiago 2:23), mas também ele é um servo do Senhor. Em Gênesis capítulo 18, o Senhor pergunta: “Ocultarei a Abraão o que estou para fazer?”  Como amigo de Deus, Abraão partilhava dos segredos de Deus.  Foi esse tipo de relacionamento que Jesus descreveu quando chamou os discípulos de amigos. Sem dúvida, era um relacionamento de amor, tanto por ele quanto uns pelos outros. 

Obediência é a chave 

Os amigos do rei não poderiam competir entre si pela atenção de seu soberano nem por benefícios no reino. Não faziam parte do círculo mais íntimo para se promover, mas para servir ao Rei.  Jesus é nosso Senhor (João 13:13, 16), mas não nos trata como servos. Por outro lado, Ele nos trata como amigos se obedecermos a seus mandamentos. Abraão era amigo de Deus, pois obedecia a Deus (Gênesis 18:19).  Se tivermos amizade com o mundo, nossa relação com Deus será de inimizade (Tiago 4:1-4).  Apesar de ser um homem salvo, Ló vivia em Sodoma e não foi chamado de amigo de Deus (2 Pedro 2:7).  Deus revelou a Abraão o que planejava fazer com as cidades da planície e, assim, Abraão pôde interceder por Ló e por seus familiares.  

Privilégios 

Um dos maiores privilégios como amigos de Cristo é aprender a conhecer melhor a Deus e participar de seus segredos. Como disse Oswald Sanders “Cada um escolhe a distância entre si e Deus”. Somos seus amigos e devemos escolher estar próximos do trono, ouvindo sua Palavra, desfrutando sua intimidade e obedecendo suas ordens.  Como ramos, compartilhamos da vida de Cristo e damos frutos; como amigos, compartilhamos seu amor para alcançar outros. Como ramos, somos podados pelo Pai; mas como amigos somos instruídos pelo Filho, e sua Palavra controla nossa vida. 

Para aprender 

Os amigos do rei certamente conversavam com seu soberano e lhe contavam suas dificuldades e necessidades. No tempo das monarquias era considerado uma honra especial ser convidado a falar ao rei ou à rainha; no entanto, os amigos de Jesus podem falar com Ele a qualquer momento. Para eles, o trono da graça é sempre acessível.  João 15:15,16 (separe um tempo para ler e meditar) resume o que significa ser amigo do Rei dos reis. Trata-se de uma experiência que conduz à humildade, pois foi Ele quem nos escolheu, não o contrário. Esse fato deve ser lembrado para que não nos tornemos orgulhosos e arrogantes.  Jesus encerra essa parte de sua mensagem recordando seus discípulos (e também a nós) do mandamento supremo: amar uns aos outros. O Novo Testamento tem várias declarações com “uns aos outros”, mas todas elas podem ser resumidas em “amar uns aos outros”. 

A vinha e o trono 

Jesus já havia dado esse mandamento aos onze apóstolos (João 13:34,35) e o repetiu mais duas vezes (João 15:12,17). Essa afirmação aparece ao longo das epístolas do Novo Testamento, especialmente na primeira epístola de João. Os amigos do Rei não devem apenas amar o seu Soberano, mas também amar uns aos outros. Quem não ama ao semelhante, como espera ter algum amor pelas pessoas perdidas do mundo? Quem não marchar com os irmãos, jamais formará uma frente unida contra o adversário. O coração do Rei se enche de alegria ao ver seus amigos amando uns aos outros e trabalhando juntos para obedecer às suas ordens. Estes flashes do capítulo 15 de João começaram na vinha e terminaram na sala do trono! 

Conclusão 

O verso 5 termina com a frase: “Sem mim nada podeis fazer”.  Sem Jesus, não ficamos simplesmente em desvantagem ou numa situação difícil. Ficamos absolutamente paralisados. Sem Ele não somos capazes de fazer coisa alguma!  Mas, quem permanece em Cristo e fica perto do trono, é capaz de fazer qualquer coisa que o Rei ordenar. No entanto, para ficar perto d’Ele precisamos ser seus amigos, obedecê-lo em tudo. Quando Ele nos escolheu, nos chamou para sermos seus amigos. 

Para você pensar 

Como cristãos, temos um grande privilégio: “Sermos amigos do Rei!” Contudo, essa amizade envolve intimidade. Lembrando o Salmo 25:14: A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança”. Você é daqueles que busca essa intimidade com Deus? Está sempre na sala do trono? 

Que Deus abençoe e ministre ao teu coração, 

Pr. Natanael Gonçalves