As credenciais de Jesus. 

Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava (verso 14). Diziam alguns de Jerusalém: Não é este aquele a quem procuram matar? Eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, reconhecem verdadeiramente as autoridades que este é, de fato, o Cristo? Nós, todavia, sabemos donde este é; quando, porém, vier o Cristo, ninguém saberá donde ele é. Jesus, pois, enquanto ensinava no templo, clamou dizendo: Vós não somente me conheceis, mas também sabeis donde eu sou; e não vim porque eu, de mim mesmo, o quisesse, mas aquele que me enviou é verdadeiro, aquele a quem vós não conheceis. Eu o conheço, porque venho da parte dele e fui por ele enviado. Então, procuravam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs a mão, porque ainda não era chegada a sua hora (João 7.14, 25-30).

As pessoas se surpreenderam ao encontrar Jesus pregando no recinto do templo. Pelo menos parte das pessoas, as que eram de Jerusalém, conheciam a hostilidade das autoridades para com Jesus e, como elas sabiam, estavam perplexas em ver como as palavras do Senhor desafiavam as autoridades. Todavia, mais surpresos ficavam ao constatar que Jesus ensinava publicamente, no templo. Será que Ele era o Messias, o Ungido de Deus, e as autoridades o haviam reconhecido como tal? Se a pergunta nascera em suas mentes, de pronto a rechaçaram. A razão era porque eles sabiam que Jesus era de Nazaré e quem eram seus pais, irmãos e irmãs. Sua identidade não era nenhum mistério, por isso o descartavam como possível Messias, uma vez que a crença popular era de que o Ungido de Deus apareceria misteriosamente. Criam que estaria oculto esperando, e que algum dia eclodiria repentinamente no mundo sem que ninguém soubesse de onde havia saído. Criam que Ele nasceria em Belém e que seria do povo de Davi, mas também criam que isso seria tudo o que se saberia acerca dele. Se a crença popular era que o Messias apareceria de improviso e de forma misteriosa, então, essas condições não se aplicavam a Jesus. Para os judeus, sua origem não possuía nenhum mistério.

Em resposta a estas objeções, Jesus fez duas afirmações e ambas produziram escândalo nas pessoas e autoridades. Disse que era verdade que sabiam Quem e de onde Ele era, mas era igualmente verdade que Ele havia vindo diretamente de Deus. Em segundo lugar, disse que eles não conheciam a Deus, mas Ele sim. Era um insulto dizer ao povo de Deus que eles não conheciam a Deus, e uma pretensão incrível dizer que Ele, Jesus, era o único que O conhecia, que estava em uma relação única e exclusiva com Deus, da qual ninguém mais participava.

Aqui temos um ponto alto na vida de Jesus. Até este momento, as autoridades o tinham como um revolucionário que transgredia a lei do sábado, a qual eles reputavam como um crime considerável, no entanto, desde agora, já não seria culpado somente de quebrar o sábado, mas do pecado de blasfêmia. Tal como eles o viam, Jesus falava de Israel e de Deus usando palavras que nenhum ser humano teria o direito de empregar.

Finalizando, este é o dilema que põe o homem diante de uma situação, a respeito da qual ele deve dar uma resposta. Se o que Jesus dizia de Si mesmo era falso, então, seria culpado de uma blasfêmia. Entretanto, se o que Ele dizia de Si mesmo era verdade, está posto o impasse: Falso ou Verdadeiro?  Neste caso, cumpre a cada pessoa decidir a favor ou contra Jesus. Qual é a sua decisão?

Pr. Natanael Gonçalves