Quando falamos em celebração da páscoa, precisamos entender que essa festa é judaica. Não obstante, para nós cristãos, a páscoa deve se revestir dos contornos do Novo Testamento. Como assim? A páscoa, no Antigo Testamento, foi dada como um imperativo ao povo de Israel e a mesma deveria conter os elementos bíblicos, ou seja, o cordeiro assado, o pão e as ervas amargas. Logo após a páscoa, seguia-se a celebração da Festa dos Pães Asmos, por sete dias. A Páscoa apontava para a morte, não para a ressurreição, como afirmam alguns. Se há festa e celebração de alegria, essa seria a dos Pães Asmos. Veja o que o apóstolo Paulo nos diz em 1 Coríntios 5.8: Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade. Após comer a Páscoa com os discípulos, Jesus introduz o que alguns chamam de Páscoa cristã, que, na realidade bíblica, trata-se da Ceia do Senhor. Na instituição da ceia (para a igreja), vemos apenas dois elementos: o pão e o vinho. Sem entrar em maiores considerações, meu propósito, no entanto, é destacar um costume que se mostra muito presente nessa época. Trata-se do ovo de chocolate e do coelho. Elementos estranhos e não bíblicos.

Transcrevo a seguir um excerto de um pequeno trabalho de autoria do Pr A. Karp sobre a Páscoa. Acho importante verificar a origem, o contexto e os significados do coelho da Páscoa e do ovo.

O livro Babilônia, a Religião dos Mistérios, de Ralph Woodrow, a esse respeito afirma o seguinte: “Como a palavra “Easter”, muitos de nossos costumes nessa estação têm seus princípios entre religiões não cristãs. Ovos de páscoa, por exemplo, são coloridos, escondidos, caçados e comidos – um costume feito inocentemente hoje e sempre ligado com um tempo de graça e alegria para crianças. Mas, este costume não se originou no cristianismo. O ovo era, contudo, um símbolo sagrado entre os babilônios que acreditavam em uma antiga fábula a respeito de um ovo de tamanho enorme que caiu do céu no rio Eufrates. Desse ovo maravilhoso – de acordo com o mito antigo – a deusa Astarte (Easter) foi chocada. O ovo veio a simbolizar a deusa Easter. Os antigos druidas levavam um ovo como emblema sagrado de sua ordem idólatra. A procissão de Ceres em Roma era precedida por um ovo. Nos mistérios de Baco foi consagrado um ovo. A China usava ovos tintos ou coloridos nos festivais sagrados. No Japão, um antigo costume era fazer o ovo sagrado em uma cor flamejante. Na Europa do Norte, nos tempos pagãos os ovos eram coloridos e usados como símbolos da deusa da Primavera. Diz a Enciclopédia Britânica, “O ovo como um símbolo da fertilidade e da vida renovada vai até o antigo Egito e os persas, que tinham o costume também de colorir e comer ovos durante seu festival da Primavera.” Como, então, este costume veio a ser associado com o cristianismo? Aparentemente alguém procurou cristianizar o ovo, sugerindo que como o pinto sai do ovo, assim também Cristo saiu do túmulo. O papa Paulo V (1605–1621) até mesmo indicou uma reza nesta conexão: “Abençoa, ó Senhor, nós te imploramos, esta tua criatura de ovos, para que se torne um sustento completo para teus servos, comendo–os em rememoração de nosso Senhor Jesus Cristo.” As seguintes citações da The Catholic Encyclopedia são significativas. “Desde que o uso de ovos foi proibido durante a Páscoa, eles foram trazidos para a mesa do Dia da Páscoa (Easter), colorido em vermelho para simbolizar a alegria da Páscoa … O costume pode ter sua origem no paganismo, pois muitos costumes pagãos celebrando o retorno da Primavera, gravitavam na Páscoa (Easter)! Tal foi o caso com um costume que foi popular na Europa, “O fogo da Páscoa é aceso no topo de montanhas, aceso na madeira através de fricção; este é um costume de origem pagã em voga em toda a Europa, significando a vitória da Primavera sobre o Inverno. Os bispos emitiram severos editos contra os sacrílegos fogos da Páscoa (Easter), mas não tiveram sucesso em abolí–los em toda parte.” Assim o quê aconteceu? Observe isto cuidadosamente! “A igreja adotou a observância nas cerimônias da Páscoa, referindo–se à coluna de fogo no deserto e à ressurreição de Cristo”! Os costumes pagãos eram misturados com a igreja romanista, recebendo a aparência de cristianismo? Não é necessário tomar minha palavra para isto. Em numerosos lugares a Enciclopédia Católica fala diretamente sobre isto. Finalmente, uma citação mais refere–se ao Coelho de Páscoa: “O coelho é um símbolo pagão e tem sempre sido um símbolo de fertilidade.” “Como o ovo de Páscoa, o coelho de Páscoa”, diz a Enciclopédia Britânica, “veio para o cristianismo desde a antiguidade. O coelho é associado com a lua nas lendas do antigo Egito e outros povos … Através do fato que a palavra egípcia para coelho, um significa “aberto” e “período”, coelho veio a ser associado com a idéia de periodicidade, tanto lunar como humana, e com o princípio da nova vida tanto no jovem como na jovem, e assim sendo, é um símbolo de fertilidade e de renovação da vida. Como tal o coelho ficou ligado aos ovos de Páscoa!” Assim, tanto o coelho da Páscoa como os ovos de Páscoa eram símbolos de significado sexual, símbolos de fertilidade (Páscoa Tradicional x Páscoa Bíblica – Página 9 – Pr. A. Karp)

Diante do exposto, pode o cristão comer chocolate nessa época? Sem dúvida alguma podemos comer chocolate em todo e qualquer tempo. Todavia, o que se destaca neste editorial, é que o cristão não comemora a Páscoa do Antigo Testamento e, nem tampouco celebra esse tempo com coelhos e ovos de chocolate. Nós celebramos a ceia do Senhor, a Páscoa da Nova Aliança, com o pão e o vinho relembrando o Seu sacrifício na cruz do Calvário, posto que Ele, o Senhor, é o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5:7).

Pr. Natanael Gonçalves