Cristo em vós, a esperança da glória 

O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória (Colossenses 1:26-27). 

Verdade oculta 

O destaque da frase: “Cristo em vós, a esperança da glória”, deveria captar a atenção de todos, todavia, passa despercebido a muitos. Paulo faz uma construção para chegar a essa afirmação. Para compreendermos melhor, ele começa o verso 26 falando de um mistério. A que Paulo se referia? Bem, ele estava falando de uma verdade que havia permanecido oculta até a chegada de Jesus a este mundo, mas que foi revelada pela primeira vez aos crentes do Novo Testamento. Essa realidade presente na revelação, incluía o mistério que os judeus não compreendiam, ou seja, que Deus se despojou da sua glória e se fez carne. 

O Mistério 

Não obstante, o mistério trazia outros aspectos que também eram incompreendidos no passado. O apóstolo os descreveu em algumas partes das Escrituras, nas quais vemos: a incredulidade de Israel (Romanos 11:25), o mistério da iniquidade (2 Tessalonicenses 2:7), os gentios são co-herdeiros e participantes da promessa (Efésios 3:3-6) e o arrebatamento da igreja (1 Coríntios 15:51). No texto em apreço, Paulo afirma que Deus revelou o mistério aos seus santos (os crentes daquela época) e por Sua vontade deu a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério. Essa bênção alcançou os gentios e, neste caso, ele termina o versículo 27 explicando e deixando qualquer gentio cheio de assombro, admiração e gratidão, qual seja: “Cristo em vós, a esperança da glória.” 

Deus era exclusividade de Israel?

Hoje, compreendemos perfeitamente que o propósito do Altíssimo era alcançar todo homem, mas o judeu se vangloriava pensando que Deus era exclusividade de Israel. Tanto isso era assim, que, para a igreja de Jerusalém que havia apenas começado, foi difícil aceitar que os gentios também pertenciam ao corpo de Cristo. Naqueles tempos Paulo teve muitos embates a respeito do tema. Mas o que chama atenção ou deveria nos encher de espanto é o fato de Cristo, por meio do Espírito Santo, viver em nós. E, como não bastasse, esse feito é uma garantia da glória. Alguém poderia indagar: Mas, o que significa essa glória? 

A esperança 

Antes de fazermos um pequeno comentário, chamo a sua atenção para a palavra esperança. A esperança do cristão, partindo do ponto de vista bíblico, não é algo que podemos aplicar da mesma forma em que usamos o termo em nossa vida diária. Nesse caso, o objeto da esperança pode acontecer ou não. Alguém espera um aumento de salário, mas ele pode vir ou não. Outra pessoa, tem a esperança de poder viajar para tal lugar em determinado tempo. Isso pode acontecer ou não. Em termos bíblicos, a esperança do cristão é algo como uma expectativa cheia de convicção, ou seja, é um saber nas entranhas de que aquilo vai acontecer. Em Atos 23.6, Paulo falava que estava sendo julgado pela esperança da ressurreição dos mortos. Ora, a ressurreição é algo que vai acontecer, não algo que pode ou não acontecer. Nós sabemos que ela irá acontecer, só não sabemos quando. 

A ressurreição 

Mas, então, que glória é essa que Paulo fala? A frase “Cristo em vós, a esperança da glória”, é um tema sobre a ressurreição. Na sua carta à igreja aos Tessalonicenses no capítulo 4 dos versos 13 a 18, o apóstolo traz à baila o assunto sobre a ressurreição e estabelece um contraste entre aqueles que se entregaram a Cristo e os demais que não O conheceram ou O rejeitaram. Paulo fala sobre a morte para ensinar aos cristãos que não deveriam se entristecer como os demais que não possuem essa “esperança”. No retorno de Jesus, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro e, nós, os que estivermos vivos, seremos transformados e, logo, seremos todos arrebatados, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim estaremos para sempre com Cristo. 

O Penhor 

Este é o ponto: Cristo, em nós, é a esperança da glória! Ele vive em nós por meio do Espírito Santo e, neste caso, essa é a garantia de que tal vai acontecer. O termo usado para “garantia” ou “penhor” é o original grego arrabon, cujo significado trata de um dinheiro que é dado como um penhor ou pagamento inicial de um negócio e que funciona como garantia de que o valor total será entregue mais tarde e, assim, o objeto de compra será resgatado e o comprador entra em posse de tal coisa. Será que o cristão convicto e comprometido com Deus não deveria explodir de alegria ao ler o que o próprio Deus deixou registrado para nós? Cristo em vós, esperança da glória! 

Conclusão 

Por fim, junto ao pequeno comentário um outro texto que pode deixar você pensando e louvando a Deus: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18). 

Que o Senhor abençoe o seu coração, 

Pr. Natanael Gonçalves