Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?  (Marcos 8.36).

Penso que estamos diante de uma fase singular da história, onde uma nova sociedade está se configurando. Existe uma corrente de insatisfação tão grande no seio dessa mesma sociedade que o crescimento e a prosperidade econômica, a democracia, a liberdade e a educação não são suficientes. O povo carece do significado de suas vidas como indivíduos e como coletividade, todavia o que se respira é a alienação, a ansiedade e a desesperança, tão patentes que não se pode ignorar. Que sentido tem a vida do ser humano no mundo de hoje? Que valor têm as instituições e o fazer parte delas?

Estive lendo sobre um personagem (para mim desconhecido, até então), que fez uma das mais claras e comoventes reflexões sobre essas perguntas, um pouco antes de falecer. Trata-se de Harvey LeRoy Atwater, mais conhecido como Lee Atwater. Este homem foi o arquiteto das vitórias do partido Republicano dos Estados Unidos durante as décadas de 1970 e 1980. O famoso diretor das campanhas dos ex-presidentes Reagan e Bush, o homem que sabia lutar como ninguém em todas as lides políticas, sempre desejoso de praticar qualquer tática, desde que funcionasse. Atwater disse o seguinte:

Muito antes que me sobreviesse o câncer, adverti que a sociedade norte americana se angustiava em seu interior. Algo fundamental faltava na vida das pessoas. Eu trabalhei para que o partido Republicano tirasse proveito dessas circunstâncias, todavia, não sabia exatamente o que a sociedade requeria. Minha enfermidade me ajudou a distinguir com clareza que, tão somente necessitávamos um pouco de coração e muito de irmandade. Os anos oitenta, continua afirmando Atwater, tiveram como único tema a ambição, riqueza, poder e prestígio. Eu adquiri mais riqueza, poder e prestígio que a maioria dos cidadãos americanos. Todavia, constatei: podemos conseguir tudo o que desejamos e sentir-nos vazios. Não obstante, se pudesse, mudaria tantas coisas para ter um pouco mais de tempo com a minha família. Que preço não pagaria eu para ter uma tarde com meus amigos? Foi preciso sentir na pele uma enfermidade mortal para apreciar o verdadeiro valor de todas estas coisas. Nosso país, que está preso nas ambições e na decadência moral, deveria aprender sobre isso. Não sei quem nos governará nos anos noventa, mas sei que terá de dar respostas a este vazio espiritual no coração da sociedade, a este tumor da alma”. 

Triste, porém, revelador. Alguém que estava envolvido na política e nos meandros do poder, fez uma constatação e testemunhou, nos últimos momentos de sua vida, que o mundo não tem nada a oferecer que possa preencher o vazio do coração humano. Quantos não estão envolvidos na busca das coisas terrenas e passageiras? Quantos que se dizem cristãos, não estão nesse mesmo barco?  Muita gente, na borda do precipício, constata a realidade dita por Jesus no verso acima. Tarde! Muito tarde! Que expectativa, nos últimos instantes de vida, não estará no coração do homem que não se preparou para encontrar-se com o Salvador, mas com o Juiz? Reflita sobre isso!

Pr. Natanael Gonçalves