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O Conhecimento de Deus – Parte II

Prosseguindo sobre o tema do conhecimento de Deus, lembro-me de ter lido que alguns cristãos pensam que esse conhecimento não pode se dar no corpo dessa carne. Contudo, procuro demonstrar que, ainda que o nosso conhecimento de Deus seja parcial, nem por isso ele deixa de ser real. O cristão verdadeiro pode afirmar como o apóstolo Paulo: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Tm 1:12). Não obstante, o crente que começou uma relação verdadeira com Deus, sempre desejará mais. Ele sente a atração do Amado Pai e sabe que sem Ele não vale a pena viver. Prossegue, tendo como meta a vida eterna e o conhecimento de Deus em plenitude.

Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre (Salmo 73.25-26).

Tratamos de um primeiro tópico no editorial anterior. Hoje abordo o segundo e, para isso, infiro que o conhecimento pessoal se dá por duas vias: por meio da informação que recebemos de outras pessoas acerca de quem desejamos conhecer e por meio da convivência, ou seja, através de uma relação viva com a mesma. Contudo, é preciso afirmar que a informação e a relação se forem firmadas sobre fundamentos equivocados, podem conduzir a mal-entendidos em vez de um conhecimento verdadeiro. A informação pode ser parcial, distorcida ou simplesmente falsa. Portanto, não é uma questão de informação somente, mas, sobretudo, para andar no caminho do conhecimento, é preciso informação verdadeira.

Por outro lado, é possível conviver com uma pessoa durante anos e concluir que a conhecemos muito pouco. Por que? Porque todos nós nos escondemos atrás de máscaras, ainda que seja um pouco pesado esse termo. Quem não possui o seu mundo secreto e bem guardado em seu coração? Na realidade, somente podemos conhecer melhor outra pessoa na medida em que ela se abre a nós. Se essa mesma pessoa não nos oferece a sua confiança, nem deseja compartilhar seus pensamentos e sentimentos íntimos, dificilmente poderemos conhecê-la. Ainda há aqueles que, por causa de feridas do passado, estão hermeticamente fechados em si mesmos. Controlam seus gestos corporais e não estampam suas emoções. São como livros fechados. Ao expor esse particular, cabe uma pergunta: Acaso Deus é assim?

Em absoluto! A Bíblia O revela como um Deus ansioso para restabelecer relações profundas com suas criaturas e que estende todo dia Suas mãos a um povo desobediente e rebelde (Romanos 10:21). Neste caso, o problema da comunicação não é de Deus, mas nosso. Toda relação que conduz a um verdadeiro conhecimento pessoal é coisa de duas pessoas. Só posso esperar que o outro se abra e me permita compartilhar sua vida enquanto eu estou disposto a fazer o mesmo. Com Deus é a mesma coisa. Temos que fundamentar-nos em bases de abertura, transparência e sinceridade. Não podemos guardar-lhe segredos e nem colocar máscaras. Aliás, nem que desejássemos poderíamos fazê-lo, pois Ele nos conhece sem que haja uma só palavra em nossos lábios (Salmo 139). No entanto, falo sobre uma perspectiva humana. Não esconder nada é abrir-se inteiramente a Deus. Não podemos esperar que Ele se abra a nós se não estivermos dispostos em abrir-nos a Ele. O caminho do conhecimento de Deus ou de uma relação com Ele, tem seu preço. Não é para os arrogantes, nem para os que creem em sua própria retidão, nem para aqueles que encobrem o seu pecado e nem tampouco para os que se enganam a si mesmos diante de uma ética fraudulenta e ideológica. É um caminho moral e espiritual, não somente intelectual.

Em síntese, há pelo menos dois fatores que transitam nas bases do conhecimento de duas pessoas: a informação acerca de sua vida e uma relação pessoal com ela e, para que o conhecimento seja efetivo, a informação deve ser fidedigna e transparente.

Finalizando, ao expor esse comentário, meu propósito foi o de desenvolver um arcabouço a respeito do conhecimento entre duas pessoas e, ao mesmo tempo, afirmar que, se desejarmos conhecer a Deus temos que resolver duas questões: 

1) descobrir onde podemos achar uma informação fiel a respeito d’Ele e, logo dedicar tempo a estudá-la.

2) descobrir como podemos entrar em uma relação com Ele e, logo desenvolve-la. 

Continuamos a dissertar sobre o mesmo assunto no próximo editorial.

Que Deus te abençoe,

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves