O Débito!

Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras… (Romanos 9.30-32).

No texto acima, Paulo traça um contraste entre duas atitudes para com Deus. A atitude dos judeus revela a pretensão deles em alcançar uma relação com o Pai, mediante o próprio esforço. Para esclarecer melhor: fundamentalmente, a ideia dos judeus, era que um homem, mediante a estrita obediência à Lei (de Moisés), podia chegar a ter uma conta positiva com Deus, e isto faria com que o próprio Deus estivesse em débito para com ele e, assim sendo, lhe devia a salvação. Todavia, estava claro que esta era atitude indevida, como também uma batalha perdida, pois a imperfeição humana nunca poderia satisfazer a perfeição do Altíssimo.

Paulo descobriu que o homem não podia fazer nada, nem tampouco começar a devolver a Deus o que Ele já havia feito pelo homem. Os judeus passavam a vida tratando de satisfazer uma Lei, cuja obediência, proporcionaria paz com Deus e que, de fato, nunca conseguiriam, porque tal coisa era impossível. Por outro lado, os gentios (todos os não judeus) não estavam empenhados em tal empreendimento, mas quando se encontraram face a face com o amor de Deus manifestado e oferecido em Cristo Jesus, simplesmente, se jogaram nos braços de tal amor com inteira confiança. Foi algo mais ou menos assim: “Se Deus me ama de tal maneira, posso confiar-Lhe minha vida e minha alma.”

O judeu tratava de fazer com que Deus ficasse em débito para com ele, o gentio, porém, estava contente de estar em dívida com Deus. O judeu cria que podia ganhar a salvação, fazendo coisas para Deus; o gentio desaparecia na admiração do que Deus havia feito por ele. O judeu tratava de chegar a Deus por intermédio das suas obras; o gentio chegava a Deus pelo caminho da confiança, sim, da confiança em Jesus.

Finalizando, lembro que a doutrina do mérito está inculcada na mente de muitos. Nossa cultura está envolvida nesse pensamento, pois com muita frequência ouço dizer: “Se eu merecer, Deus vai fazer isto ou aquilo”. Não! Não há mérito algum de nossa parte. Tudo o que fizermos será sempre inútil no sentido do mérito diante de Deus. Nós não merecemos nada e a bênção de Deus é simplesmente por “graça”. Pense sobre isto!

Em Jesus, Aquele, diante de quem, todo joelho se dobrará,

Pr. Natanael Gonçalves