Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar (1Pedro 5:8).

No texto acima, Pedro usou dois imperativos para uma preparação espiritual adequada contra os futuros ataques satânicos: “sede sóbrios” e “vigilantes”. Os verbos refletem uma sensação de urgência que requer imediata atenção. Mas, não somente isso, eles também apontam para uma atitude firme e decidida. O apóstolo colocou as duas palavras no começo da oração para dar ênfase na atitude que seus leitores deveriam ter. A sobriedade a que se refere, tem a ver com uma perspectiva de alerta mental e espiritual. Ele utilizou o mesmo termo “sóbrios” em três ocasiões (1:13; 4:7 e 5:8) no sentido de manter o foco, bem como uma consciência apropriada, os quais são necessários à vida cristã. O termo vigilante é quase um sinônimo de “ser sóbrio”. O sentido poderia ser estendido como: “despertem!, tenham cuidado!, prestem atenção!”

Uma situação em especial me chama a atenção: O mandado de Pedro ao seu rebanho para que fosse sóbrio e vigilante, pode ter trazido à sua mente uma lembrança amarga para ele, mas necessária para o cristão. Mateus 26.37, relata que Jesus levou consigo a Pedro, Tiago e João ao campo de batalha no Getsêmani. Então, o Senhor lhes ordenou: ...A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo (Mateus 26:38). No verso 40, no final do primeiro round da batalha em oração, Jesus voltou e encontrou os três dormindo. É interessante notar que o Senhor se dirigiu a Pedro: E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? (v.40). No verso seguinte, voltou a ordenar-lhes: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca (v.41).

O discípulo que havia alardeado que permaneceria com Jesus e nunca o abandonaria, não foi capaz de orar atentamente na hora mais obscura para Jesus, quando, humanamente falando, Jesus mais necessitava. Poderia pensar em feitos heroicos para resgatar a seu Mestre, mas, não obstante, se recusou a escutar o pedido de Jesus para vigiar em oração. Assim sendo, a falta de vigilância de Pedro acelerou o seu fracasso. Todavia, é bom observar que, ao longo das Escrituras, o apóstolo demonstrou um traço de caráter nobre: Ele aprendeu com seus erros passados e os usou para advertir a seus leitores. O chamado ao alerta espiritual que emitiu em 1 Pedro 5:8, evoca um de seus maiores fracassos. Foi necessária uma graça especial para usar uma das vergonhas pessoais mais humilhantes como exemplo aos demais, e Pedro o fez. Ele amava os cristãos e, por isso, os alertou de modo similar ao que Jesus havia feito com ele.

Pedro não define como ocorre os ataques satânicos, o que é sábio, pois o modo como Satanás age contra os servos do Altíssimo é diverso, usando de estratégias variáveis e aplicando seus ardis e sutilezas. Entretanto, no verso 9 ele revela algo dessa metodologia diabólica: resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. Aqui, Pedro destaca que a responsabilidade do cristão é resistir. Uma vez que a fé é o meio para alcançar a vitória, e que ela se ocupa do que não se vê, Satanás a combate inculcando dúvidas sobre a veracidade de Deus e de Sua Palavra. Isto pode funcionar bem se algum cristão fundamentar a verdade espiritual somente no que observa ao seu redor. Esse método funcionou com Adão e Eva e funcionará também conosco, a menos que sejamos sóbrios e vigilantes.

Finalizando, note que no verso 9, Pedro destaca que o diabo é perigoso, pois impõe sofrimentos à irmandade ao redor do mundo. Esta verdade se mantém e nada mudou. Em todo o hemisfério, os que caminham com Jesus, se converteram em alvos da ira de Satanás. Você está consciente disso? Seja sóbrio e vigilante!

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves