Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas (Mateus 5.41).

Para os judeus, os romanos eram inimigos e opressores e, assim sendo, não podiam receber outra coisa que não fosse o ódio e o desprezo.  Se um soldado tivesse que carregar um peso, a lei romana lhe dava o direito de obrigar a qualquer homem de um território ocupado, a levar tal peso por uma milha. Não há dúvidas de que essa autorização podia resultar em abusos. No entanto, o homem forçado a levar essa carga, se limitava ao estrito cumprimento do que a lei permitia, ou seja, percorrer o percurso de uma milha. Quando chegava ao limite estabelecido, depositava o volume no chão para que outro o levasse. Os judeus carregavam aquele fardo, mas, ao larga-lo no chão, continuavam com aquela carga na alma que inflamava mais ódio contra aqueles que os forçavam. Um exemplo dessa prática foi o caso de Simão, o cireneu, a quem os romanos obrigaram a carregar a cruz de Cristo (Mateus 27:32; Marcos 15:21).

Não obstante, para os seguidores de Jesus, há uma outra perspectiva sobre o assunto. Jesus ensina que aquela situação deveria ser vista com olhos de misericórdia e um serviço de ajuda ao próximo. A forma de demonstrar amor a quem exigia o cumprimento legal, não era somente levar sua bagagem dentro do limite, mas que andasse bem mais que isso visando externar um gesto de desinteresse e afeto. O impacto dessa atitude naquele que estava acostumado a ouvir impropérios e maldições, faria com que ele se interessasse pela razão daquela generosidade. Seria, então, uma oportunidade para testemunhar do poder transformador do amor de Deus. Outrossim, também seria uma das formas de ser sal da terra e luz do mundo.

Diante de leis injustas, o Senhor ensina a aceita-las de forma voluntária e, ao mesmo tempo, enxergar o lado positivo da situação. Para isso, o cristão deve lembrar que Deus está no controle de tudo e conduz todas as coisas para o bem daqueles a quem ama (Romanos 8:28). Este ensino contrasta com o padrão do mundo, onde os direitos, quase sempre, são exigidos sem misericórdia. Pensando sobre o que Jesus ensina neste texto, não seria um bom momento para uma reflexão sobre as atitudes de muitos cristãos em relação aos seus irmãos? A intransigência produz diferenças e distanciamentos. Em muitas situações, os direitos exigidos impedem a manifestação do amor e da misericórdia. Quem é incapaz de amar a seus irmãos em Cristo, não será capaz de amar aos perdidos. Quem não pode suportar a injustiça sem rancor e os abusos sem ira, possivelmente não conheceu, verdadeiramente, o amor de Deus em sua vida. Forte, não? 

Momento de Reflexão: O verdadeiro cristão não se destaca pelo fato de frequentar uma igreja, de carregar a sua Bíblia ou de orar em alta voz, mas pelo amor e misericórdia que demonstra para com todos.  Como cristão, você é um defensor de seus direitos ou está disposto a sofrer o dano (1 Coríntios 6:7) e ser misericordioso?

Naquele que tem prazer na misericórdia (Miqueias 7:18),

Pr. Natanael Gonçalves