Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes (Mateus 5:38-42).

As ações de vingança contra a injustiça haviam sido legalizadas entre os judeus como algo lícito. Os mestres de então, ensinavam que era lícito odiar aos inimigos e devolver a afronta recebida na mesma proporção. Nos versículos acima, Jesus trabalha o tema e fala da reação que o cristão verdadeiro deve ter diante das injustiças recebidas.

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Esta disposição legal, se conhece também como a lei das represálias (Êxodo 21.24; Levítico 24.20; Deuteronômio 19.21). A frase, “ouvistes que foi dito”, reporta à lei que, em geral, foi promulgada para proteger os inocentes de pessoas sem princípios. O apóstolo Paulo em 1 Timóteo 1.9-10, reforça: tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina. Isto quer dizer que Deus, ao dar Sua lei, procurou regular a vida moral das pessoas no sentido de uma correta relação entre elas. Nosso admirável Deus exige um reto comportamento de quem se declara ser filho: Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo (Levítico 11:44). O apóstolo João leva essa ordem às últimas consequências e afirma que: …segundo ele é, também nós somos neste mundo (1 João 4:17). Sendo o Altíssimo um Deus compassivo, clemente, longânimo, grande em misericórdia e que perdoa a iniquidade (Êxodo 34:6-7), não é possível admitir que Ele estivesse dando a autorização e impulsionando a vingança pessoal. Necessário observar aqui que, a lei “olho por olho”, não foi dada para povo, mas para os juízes. O que Deus desejava com ela era impedir o desejo de vingança e controlar as paixões. O princípio de justiça equitativa está contido na legislação do Antigo Testamento, portanto, o castigo por uma ação nunca deve exceder o que é justo.

Por isso, os juízes deveriam administrar a justiça conforme a lei dada por Deus e segundo o delito cometido ou o dano produzido (Êxodo 21:22-29). A lei defendia os direitos, logo, quem os quebrava, perdia os seus. A lei dada por Deus não teve o propósito de legalizar a crueldade e permitir a vingança, pelo contrário, foi o de manifestar a justiça em sua mais estrita medida. A lei estabelecia que o castigo não poderia ser maior que o dano causado e impedia que a punição fosse “vida por olho ou braço por dente”. A lei de Deus determinava sansão para o delinquente, mas não permitia, de forma alguma, a vingança pessoal (Levítico 19:18).

Por fim, os escribas e fariseus tomavam a literalidade da lei e não consideravam que ela fora dada para regular as ações judiciais e, portanto, para os juízes. Assim sendo, eles a confiscavam para si mesmos, assumindo-a como um assunto pessoal. Ensinavam que a lei respaldava cada pessoa que tomasse a justiça em suas próprias mãos e a executasse. Diante de tal quadro, eles não se importavam com o sofrimento do outro, mas com a imposição de seus direitos.

Momento de Reflexão: A injustiça provoca a indignação. Como o assunto não termina aqui, gostaria de deixar algumas questões: como você lida com a injustiça? Quando alguém que te causou algum dano passa por sofrimento, você se alegra?

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves