Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela (Mateus 5:27-28).

Jesus, agora, vai transmitir o verdadeiro alcance do sétimo mandamento. Com o “eu, porém, vos digo, o Senhor complementa o ensino limitado que, tradicionalmente, se dava sobre o significado do tema. Esse mandamento, na verdade, envolve dois: o da proibição do adultério e aquele que se expressa como: “…não cobiçarás a mulher do teu próximo” (décimo mandamento – Êxodo 20:7). Como destaquei anteriormente, os fariseus ensinavam que somente o ato consumado se considerava como transgressão ao mandamento. Jesus, no entanto, condena tanto a ação realizada, quanto o olhar cobiçoso de um homem para uma mulher, que não seja a sua.

Com relação ao olhar, ação destacada por Jesus no texto, é imperioso observarmos alguns registros das Escrituras para aprendermos um pouco mais. Lembremo-nos de um singular personagem: Jó. Em seu livro, no capítulo 1, verso 1, a Bíblia dá um testemunho desse homem afirmando que ele era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Jó, por ser temente a Deus, tinha um cuidado especial com olhar. Nós podemos ver isso no capítulo 31.1: Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela? Jó conhecia as consequências que seguiam o pecado do adultério, por isso afirmou nos versos 9 a 11 do mesmo capítulo: Se o meu coração se deixou seduzir por causa de mulher, se andei à espreita à porta do meu próximo, então, moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela. Pois seria isso um crime hediondo, delito à punição de juízes.

Normalmente o pecado do adultério começa com o olhar de desejo e cobiça, como foi o caso de Davi com Bate-Seba, a mulher de Urias, o heteu (2 Samuel 11.2). O olhar de cobiça ativou a concupiscência do coração, lugar de onde procedem os maus desejos com vistas a executá-los, os quais, em muitos casos, se tornam realidade (Mateus 15:19-20). Os olhos são a porta de entrada do elemento que gera a perversidade. A afirmação de Jesus, deve ser entendida de modo cristalino, não ficando nenhuma dúvida atrás. O pecado não está em olhar uma mulher, mas no fato de colocar os olhos sobre ela para cobiça-la.

Por último, o Senhor declara que esse olhar ávido de um homem a uma mulher que não seja a sua, já se considera como pecado condenado em Sua lei: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Isto, de fato, é real, porquanto o desejo de realizar tal intento está no coração, ainda que lhe falte a oportunidade para faze-lo. Todos os atos do ser humano estão sob juízo de Deus. Não obstante, o que Ele considera, é a essência do desejo pecaminoso instalado no coração, independentemente do fato ter sido consumado ou não.

Momento de Reflexão: O problema dos olhos é um caso sério. Quando alguém vê o sexo oposto e o deseja para si, assim o faz porque despertado (a) foi pelo que viu. No entanto, o maior problema é o que deixa de ver. Tome o caso de Davi como exemplo. Ele viu uma linda mulher com desejo lascivo e almejou tê-la em seus braços. Mas, o que ele não viu? Ele não viu que aquilo feria o coração de Deus. Ele não viu as consequências próximas que lhe acometeriam, tais como: a morte prematura do filho, o abuso de sua filha Tamar pelo seu meio-irmão Amnon. O assassinato de Amnon por Absalão, que fugiu e ficou três anos distante do pai. Quando voltou, conspirou contra Davi para roubar-lhe o reino e possuiu as concubinas de seu pai à vista de todo Israel. Davi fugiu deste filho, e, a certa altura, houve uma batalha entre aqueles que o seguiam e os seguidores de Absalão. Como resultado, morreram do lado de Absalão, vinte mil homens. Como se isto não bastasse, Absalão foi morto, o que levou Davi a se lamentar profundamente. Enfim, todo esse caos, foi consequência do pecado cometido, conforme o registro da Palavra de Deus em 2 Samuel 12:10-12. Seu pecado foi perdoado, mas as consequências ficaram. Eis aí um exemplo para todos. Pensem a respeito!

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves