Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás (Mateus 5.27).

Para melhor entendermos o alcance do mandamento que Jesus expõe aos seus ouvintes, necessário se faz compreender o significado bíblico da instituição do casamento. Em primeiro lugar, o matrimônio é um estabelecimento divino e não humano, pois foi pensado e determinado por Deus, conforme vemos em Gênesis 2:18. O Senhor também determinou o caráter dessa união: Não tendes lido…. Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? (Mateus 19:4-5). Observe que nestes versículos (4-5) encontramos quatro fatores determinantes: Primeiro, uma relação de exclusividade entre o homem e sua mulher, isto é, um só homem e uma só mulher. Segundo, formam uma nova família, distinta daquela que anteriormente correspondia a cada um dos cônjuges, pelo que lhes é dito: deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher. Terceiro, uma relação de convivência e entrega mútua: se unirá a sua mulher. Quarto, uma relação de unidade permanente: tornando-se os dois uma só carne.

O matrimônio deve ser considerado como um pacto sagrado, ou melhor, como um compromisso ajuramentado diante de Deus. Essa união é um assunto pertinente à vontade de ambos, onde há o compromisso de viverem unidos (Gênesis 2:24). É preciso destacar que o casamento é uma união que envolve um pacto ou aliança, posto que Deus diz por meio do profeta: …tua companheira e mulher da tua aliança (Malaquias 2:4). Para muitos, porém, pode passar despercebido um detalhe fundamental: a aliança ou o pacto do casamento, com mútuo consentimento e voluntariedade, se estabelece diante de Deus. Ele, que instituiu a relação matrimonial, fica como Garantidor do pacto, ou seja, a validade do pacto está firmada. Não obstante, é também constituído como Testemunha contra aquele que quebra o pacto dessa união. Outro fato, porém, se põe em evidência nas Escrituras: Deus poderia ter feito várias mulheres para Adão ou vários homens para Eva. No entanto, Ele fez um só de cada espécie, indicando com isto, a Sua vontade de unidade e lealdade entre o casal. Outrossim, Deus confiou aos cônjuges a responsabilidade de vigilância para não cair no pecado da deslealdade no matrimônio (Malaquias 2:15b).

No versículo 27 de Mateus 5, o Senhor inicia do mesmo modo como o fez das vezes anteriores: Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. O verbo no futuro carrega uma expressão negativa enfática, e apela à vontade do indivíduo para que não cometa o pecado que a Lei proíbe. Por outro lado, Deus estabelece em Sua Palavra que as relações íntimas são honrosas e lícitas dentro do matrimônio (Hebreus 13:4). Todavia, qualquer relação de intimidade fora do casamento, fere o mandamento e se constitui como um pecado diante de Deus. A respeito do assunto, o apóstolo Paulo reforça o ensino de que cada marido, viva somente com a sua esposa e vice-versa (1 Coríntios 7:2-5). No Antigo Testamento, Deus proibia absolutamente o adultério: Nem te deitarás com a mulher de teu próximo, para te contaminares com ela (Levítico 18:20). A infidelidade do marido ou da esposa, produzia um estado de imundícia e contaminação. Esse pecado afeta várias áreas da vida de uma pessoa casada: Primeiro, é um pecado contra a aliança do casamento. Segundo, é um pecado contra o voto matrimonial de fidelidade. Terceiro, é um pecado contra a relação do casamento.

Para finalizar, enfatizo que o pecado do adultério está sujeito diretamente ao juízo de Deus, pois Ele é Testemunha e Juiz contra quem comete esse pecado, e, neste contexto, é bom lembrar que o escritor aos Hebreus afirma: … Deus julgará os impuros e adúlteros (Hebreus 14:4).

Momento de Reflexão: Essa mensagem é para todos, no entanto, é dirigida, principalmente, para os cristãos. Quantos casais não passaram ou estão passando por situações que envolvem o pecado do adultério? Será que existe uma justificativa para tal pecado? Diante de Deus, não há uma, sequer! Volto a insistir que a obediência à Palavra de Deus, é causa única de satisfação e realização do casal. Pense nisso!

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves