O pão nosso de cada dia dá-nos hoje (Mateus 6:11).

Estamos analisando o modelo de oração que Jesus nos deu e, assim, chegamos ao versículo de número onze. Este é o primeiro pedido por uma necessidade própria e pessoal. Nos versículos anteriores o Senhor havia ensinado que as pessoas deveriam se ocupar, primeiramente, com Deus e Sua glória, para, depois, em um segundo nível, pedirem pelo que é necessário. Se colocarmos os interesses de Deus em primeiro lugar, então, poderemos levar nossas próprias necessidades a Ele. Não obstante, Deus sabe a respeito de cada uma delas, antes de Lhe pedirmos (verso 8), e, a partir deste ponto, surge a pergunta: então, por que orar? A resposta é simples: porque a oração é o modo designado por Deus para suprir as nossas necessidades (Tiago 4:1-3). 

O que Jesus desejava ensinar quando nos instruiu a pedir: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje? Bem, nos dias em que vivemos, a preocupação desta sociedade consumista não é com o que comer no dia de hoje, mas com muitas outras coisas que envolvem o dia do amanhã. O alimento, salvo em alguns lugares pobres e complicados, não parece ser um item de preocupação que se aloja no coração de muitos. Para uma grande maioria, quando o dia começa não há inquietação quanto à necessidade da comida, pois, na dispensa, existe o suficiente para uma semana ou para o mês. Sendo assim, por que o pão consta nesse modelo de oração? Se analisarmos, a comida é necessária para a sobrevivência e, portanto, algo primordial. Com isto, o Senhor nos ensina a pedir aquilo que é necessário ou essencial. Por outro lado, adiciono também que não devemos nos preocupar e nem estar ansiosos com o futuro distante e desconhecido. A necessidade básica é para o dia que se chama hoje. Imagino que quando Jesus deu essa instrução, Sua mente estava no registro de Êxodo 16:1-21, onde se pode ler sobre o cuidado de Deus com os israelitas. O povo de Israel não tinha o que comer no deserto, por isso Deus lhes enviou o maná, o pão do céu, mas com uma condição: as pessoas tinham que recolher somente o que fosse suficiente para aquele dia, ou seja, para as necessidades imediatas. Se recolhessem mais e intentassem armazená-lo, apodreceria. Desta forma, a petição nos ensina a viver o dia de hoje (Mateus 6:34), sem nos preocupar com o amanhã.

Para finalizar, faço ainda algumas observações: primeiro, quando incluímos em nossas orações esse componente que o Senhor nos deu, estamos reconhecendo que vem de Deus o alimento necessário para o sustento da vida. Nenhum ser humano é capaz de criar uma semente viva e que produza alimentos. Um cientista pode analisar uma semente e conhecer toda a sua constituição, mas nenhuma semente sintética tem o poder de germinar. Todas as coisas vivas procedem de Deus e, por conseguinte, tudo o que a natureza produz, é um presente do Altíssimo para nós. Segundo; devemos lembrar que Jesus nos ensinou a pedir o “pão nosso”, no plural, e não no singular. Com isto, aprendemos a não permitir um sentimento egoísta em nossas orações e, desta forma, sermos usados por Deus para compartilhar com os menos afortunados. Por último, o fato de pedirmos pelo essencial, não significa que não devemos pedir por outras coisas que não sejam prioritárias. O ponto mais alto da oração é a nossa dependência do Pai. Quando mantemos uma íntima comunhão com Deus, Ele dispõe em nossos corações os Seus desejos e, sendo assim, podemos orar por outras coisas, segundo a vontade Dele, e não segundo os nossos desejos egoístas. É assim que creio.

Momento de Reflexão: Como é a sua vida de oração? Você é um filho totalmente dependente do Pai celestial? Suas orações exprimem essa condição?

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves