E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mateus 6:12).

Quando estamos orando devemos ser conscientes da nossa natureza humana, haja vista que ela está em contraste com a santidade infinita de Deus. O homem, enquanto carne, por melhor que seja a sua condição moral, será sempre um pecador. O termo “dívidas”, usado por Jesus no modelo de oração que estamos analisando, é um modo de expressar a ofensa pelo pecado. Desta forma, o pecador é um devedor permanente diante do Pai celestial. Interessante é que a dívida do pecado, não se mede pela ação cometida pelo ofensor, mas por quem foi Ofendido e, neste caso, o Deus do universo. Todo tipo de pecado é ofensa a Deus (Salmo 51:4) e, somente Ele, em sua infinita graça, por causa do sacrifício de Jesus na cruz, pode perdoar o pecado sem prejuízo de sua justiça, já que todas as nossas rebeliões e pecados foram imputados a Cristo (Isaías 53:4). É com base na obra da cruz que Deus perdoa o pecado que seus filhos cometem, bastando a confissão para uma restauração plena da comunhão com Ele (1 João 1:9).

Não se deve esquecer que o pecado traz, como consequência, a cegueira na vida espiritual de quem segue a Cristo, pois muda o caminho que antes era iluminado pela comunhão com Deus, por outro de desorientação e de trevas (1 João 1:6). Assim sendo, vemos uma outra possibilidade para o cristão, ou seja, ele pode andar na luz ou nas trevas. As bênçãos do Pai, no entanto, trafegam pelo caminho da luz e não da escuridão do pecado. Uma das circunstâncias mais lamentáveis que o pecado produz na vida do cristão, é a perda da comunhão com Deus (1 João 1:3-7) e, somente por meio dessa comunhão é que se pode alcançar o cumprimento pleno da alegria (1 João 1:4), a qual o pecado pode roubar. Incluindo às perdas já mencionadas, o pecado também priva o cristão da paz que estava instalada em seu coração (1 João 3:4-10).

Para finalizar, lembro que Deus estabeleceu a confissão como remédio para o pecado cometido pelo cristão (1 João 1:7;9). Deus age em justiça e em misericórdia quando perdoa o pecado que o seu filho confessa, porquanto Jesus os levou sobre Si, lá na cruz. Por causa das consequências de Seu sacrifício, Deus é propício para perdoar e purificar o cristão que confessa o seu pecado. Para o crente em Cristo, não se trata de um perdão generalizado de todos os pecados, o qual ocorreu no momento da conversão (Colossenses 2:13), mas da restauração da correta relação entre o Pai ofendido e o filho ofensor. Jesus, no texto acima, ensina a pedir o perdão, não no sentido da salvação, mas no sentido da restauração, conforme destaca o apóstolo João em 1 João 1:9. Quando o pecador atende o convite do Altíssimo, recebe o perdão por crer. Entretanto, quando já passou pela conversão, o perdão, pela confissão, restaura a comunhão com o Pai. Em vista de tudo, só mais uma coisa preciso enfatizar: Tanto o crer como o confessar, são ações humanas que correspondem à demanda divina.

Momento de Reflexão: Davi foi um homem que pecou e perdeu sua comunhão com Deus. Ele mesmo disse: Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos (Salmo 32:3. Se você quiser ver mais, leia o verso 5 e também o Salmo 51). Não obstante, depois de confessar, ele foi restaurado. Termino lembrando que o cristão em pecado, não tem comunhão com Deus, nem tampouco alegria e paz no coração. Quem corteja o pecado, corteja a destruição. Que todos reflitam sobre isso!

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves