E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mateus 6:12).

A disposição ao perdão é a condição para uma oração de confissão (se você não leu o comentário anterior, clique aqui), a qual pode ser verificada no ensino de Jesus: assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. A frase indica o comportamento de quem confessa seus pecados, reconhecendo a necessidade do perdão de suas próprias dívidas.

Entendo, no entanto, que o Altíssimo não perdoa o cristão que confessa o seu pecado, porque ele simplesmente outorgou o perdão aos seus devedores. Se assim fosse, o perdão concedido corresponderia a um mérito pessoal que o ofensor alcançou por perdoar os outros, e não por meio da graça. Como assim não é, a disposição ao perdão reside exatamente no fato de que ele já foi perdoado. Quando o cristão olha no retrovisor, ele se lembra que um dia foi perdoado com base no sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Agora, perdoado e livre, estará sempre pronto para conceder ao próximo, que o ofendeu, o seu amor e perdão. Enfatizo, no entanto, que a predisposição de perdoar é a evidência mais notória na vida de quem já foi perdoado.

Por outro lado, uma oração feita sem perdão é uma oração estéril, porque é impedida ou bloqueada. Lembremo-nos do ensino de Pedro quando se refere às desavenças não resolvidas no casamento, produto de um ressentimento pessoal que impossibilita o perdão: Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus coerdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações (I Pedro 3:7).

Aquele que ora a Deus confessando o seu pecado, mas não perdoa a ofensa recebida, sua oração de confissão se converte em um pecado de hipocrisia. Destaco, todavia, que esse cristão não está em condições de ser perdoado e limpo pelo sangue de Jesus, posto que abriga o pecado da falta de perdão, em seu coração (1 João 1:7). Por conseguinte, não poderá voltar ao gozo da comunhão com o Pai, enquanto não reconhecer a sua condição e exercer o perdão. Não obstante, aquele que pede: perdoa-me assim como eu tenho perdoado, se condiciona naturalmente para ser restaurado à comunhão.

Momento de Reflexão: Já ouvi muitas vezes aquela famosa frase: “não consigo perdoar”. A questão do perdão na vida do cristão, não é uma questão de sentimento, mas, sobretudo, da vontade. Nós ofendemos a Deus e, um dia, fomos perdoados. O Pai nos concedeu o perdão e não devemos assumi-lo como uma propriedade exclusiva. Nós o temos e, por isso, podemos distribuir àqueles que nos ofendem, independentemente do que sentimos. Essa é a atitude cristã. Reflita sobre o tema!

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves