Luta

Davi antevê a vitória

Salmo 3.5-8: Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.

Quando Davi acorda na manhã seguinte, a primeira coisa que lhe vem à mente é o Senhor e a maneira como ele protegeu o rei e seus servos durante a noite. Para Davi, esse é um sinal de que o Senhor está com eles e de que os acompanhará até o final dessa crise. Isso nos faz lembrar de Jesus adormecido no meio da tempestade (Mc 4:39) e de Pedro dormindo na prisão (At 12). Se cremos n’Ele e buscamos sua vontade, Deus trabalha por nós mesmo enquanto dormimos (Sl 121:3,4; 127:2). Davi declara que não temerá as dezenas de milhares de pessoas organizadas em formação de batalha contra ele, pois Deus lhe dará a vitória (Dt 32:30). A manhã era a parte mais importante do dia para Davi, como também o deve ser para nós hoje. Era pela manhã que ele se encontrava com o Senhor e que O adorava. Esse era seu horário de orar (5:3), de cantar (57:7,8; 59:16) e de se satisfazer com a misericórdia de Deus (90:14). “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (30:5). Abraão levantava cedo (Gn 19:27; 21:14; 22:3), como também o fazia Moisés (Êx 24:4; 34:4), Josué (Js 3:1; 6:12; 7:16;), e Jesus (Mc 1:35). Deus não apenas deu descanso a Davi, como também o salvou. A oração de Davi no versículo 7 – “Levanta-te, Senhor! ” – nos lembra o povo de Israel no deserto. Quando a nuvem de glória que os conduzia começava a se mover e o povo levantava acampamento e partia, Moisés costumava dizer: “Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam” (Nm 10:35). O rei fugitivo usou a mesma expressão com o mesmo significado.

Davi havia enviado a arca de volta para Jerusalém (2 Sm 15:24-29), mas sabia que a presença de um objeto sagrado não era garantia alguma da presença do Senhor (1 Sm 4). Davi não tinha acesso ao tabernáculo nem ao ministério dos sacerdotes, mas era espiritual o suficiente para saber que o amor e a obediência de seu coração eram tudo o que Deus queria. Não tinha consigo a arca do Senhor, mas tinha consigo o Senhor da arca! Não podia oferecer sacrifícios de animais nem incenso, mas podia levantar as mãos para adorar a Deus (Sl 141:2). A glória de Deus estava com ele (v. 3), como também a bênção de Deus (v. 8). O inimigo que se levantasse! (v. 1). Deus também se levantaria e lhe daria a vitória! Algumas traduções colocam os verbos do versículo 7 no passado, indicando que Davi faz uma retrospectiva das muitas vitórias que Deus havia lhe dado em outros tempos. Algo como: “O Senhor salvou minha vida tantas vezes no passado, então por que me abandonaria agora?” Outras versões, como a NVI., consideram essa oração como um pedido por vitórias no presente e no futuro. De qualquer modo, Davi tinha fé para crer que Deus iria adiante dele e que derrotaria o exército de Absalão – e foi exatamente o que Deus fez. Acertar o rosto do inimigo (“feres nos queixos”) era um ato de humilhação. Jonas citou o versículo 8 quando estava dentro do grande peixe (Jn 2:9) e foi salvo. Apesar de ter usado uma estratégia brilhante para fazer frente aos planos de Absalão, Davi recusou-se a assumir o crédito. Somente o Senhor receberia a glória. Davi também se recusou a cultivar qualquer tipo de ressentimento contra seu povo, pedindo em vez disso que o Senhor os abençoasse (8b). Isso nos lembra a oração de Jesus na cruz (Lc 23:34) e a oração de Estêvão quando estava sendo apedrejado (At 7:60). Deus restaurou Davi a seu trono e permitiu que preparasse Salomão para sucedê-lo. Davi também conseguiu juntar sua riqueza de modo que Salomão tivesse todos os recursos necessários para construir o templo (1 Cr 22 – 29).

Para refletir: “O espírito da fé é o falar”. Quando temos aquela convicção entranhada de que Deus conduz a nossa vida e de que Ele jamais nos abandonará, podemos, com fé, afirmar confiantemente: “O Senhor é o meu auxilio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb 13:6). Sua vida espelha essa realidade? Você vive pela fé?

Nele, que disse que os fios de cabelos da nossa cabeça estão contados,

Pr. Natanael Gonçalves