Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mateus 5:21-22).

Jesus ensinava ao povo com autoridade. O verso 29 de Mateus 7 afirma que Ele ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. O que isto significava? A autoridade na vida de Jesus era algo evidente. Era como uma atmosfera ao seu redor. Era como uma onda que saía dele e ninguém podia contestar. Cristo corrigia a sabedoria humana mais elevada, porque Ele era o Que era. Não precisava discutir, bastava-lhe falar. Ninguém podia estar com Jesus face a face e ouvir suas palavras sem ficar impactado. Diante d’Ele, todas as palavras eram inadequadas e toda a sabedoria humana, defasada. Jesus, em razão de ser Quem era, com autoridade pronunciou: Ouvistes o que foi dito… …Eu, porém vos digo

Cristo não invalidou o ensino tradicional do Antigo Testamento, mas o complementou. Os mestres de então, ensinavam o povo a temer as consequências que se produziam ao desobedecer, com suas ações, aos mandamentos. Jesus, todavia, ensinava com um alcance maior. Não era o temor das consequências que podiam acarretar a sentença de um tribunal humano em juízo, mas o temor de ofender a Deus na intimidade do pensamento e das intenções.

O que o Senhor enfatizava, era a atitude do coração diante do supremo tribunal de justiça de Deus, que não se conforma com ações externas, mas que julga as intenções do coração (1 Samuel 16.7). A ação é o resultado final do que está no coração de uma pessoa. Por isso, Jesus trata da questão na sua origem, pois o germe do homicídio se instala primeiro no coração. Assim sendo, aprendemos que o discípulo de Cristo, deve manifestar uma atitude justa e afetuosa para com os outros, pois a vida de santidade não consiste, em sua essência, no que se faz, mas no que se é.

O Senhor começa incluindo a ira como parte da proibição do mandamento. Essa ira, é o resultado de uma posição contrária ao amor e à graça de Deus. Quem é incapaz de amar, demonstra que não conhece a Deus (1 João 4:8). A identificação com Cristo, exige um estilo de vida em amor, longe do ódio e do rancor contra o próximo e principalmente contra o irmão em Cristo. A ira contra o irmão, além de ser um pecado, está expressamente proibida ao cristão (Efésios 4:31).

Ao finalizar, lembro que o meu propósito é o de escrever pequenos textos. Não obstante, o assunto não termina aqui. Este é apenas uma introdução para entrarmos na segunda parte, a qual concluirá este comentário. O que está por trás destes versículos, é algo muito sério, mas, muita gente não se dá conta. Trago em meu coração um peso de alerta, por isso, não perca a próxima publicação.

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves