Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mateus 5:21-22).

Nesta parte do sermão de Jesus, o que se destaca é a ira. Por causa da ira abrigada no coração, a pessoa que se irou contra o seu irmão, está sujeita a julgamento. Por causa da ira, ele profere um insulto a seu irmão e, consequentemente, estará sujeito a julgamento do tribunal. Mas, também por causa da ira, alguém pode chamar a seu irmão de tolo e, isto, produz um julgamento ainda mais severo. A palavra no original grego traduzida por tolo em português, é “moros”. Segundo Strong, o sentido é: tolo, néscio, insensato. W. Barclay abre o entendimento quando ele comenta que chamar alguém de “moros”, não era criticar a sua capacidade mental, mas era pôr em dúvida seu caráter moral; era sujar seu nome e marcar aquela pessoa como alguém imoral e de má reputação. Assim sendo, Jesus diz que aquele que destrói o nome e a reputação de seu irmão, merece o juízo mais severo de todos. Sublinho, todavia, que a pessoa estará sujeita e não condenada de antemão. Penso, contudo, que devemos aprofundar um pouco mais nesta última observação do Senhor Jesus.

Aquele que se ira contra o seu irmão, passa a desferir palavras injuriosas contra ele, chamando-lhe de tolo. Na verdade, ao expressar tal linguagem, manifesta uma atitude de profundo desprezo para com o seu próximo, considerando-o como indigno e sem valor. Um incidente registrado em João, capítulo 7, nos dá uma perspectiva que ilumina o entendimento quanto ao tema. No verso 32, os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para prenderem a Jesus. Depois de ouvi-lo, voltaram sem cumprir a missão, pois foram cativados pelos Seus ensinos (versos 32-49). Os fariseus, irados contra eles, soltaram uma frase vinculando-a aos servidores: “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” (verso 49).

Este desprezo conduz ao ódio, porque considera o outro como vil e, portanto, indigno de ser amado. O insultante assume uma posição de arrogância e de superioridade ao desprezar seu irmão (Romanos 12:10). No texto, Jesus está ensinando que os desejos homicidas abrigados no coração de quem insulta o irmão, se põem em evidência, ao injuriá-lo. Interessante é a progressão desta condição: do insulto, à difamação. O primeiro acontecimento fica reduzido no âmbito dos dois personagens: o que odeia e o irmão odiado que recebe o insulto. O segundo, é a difamação. Neste caso, uma situação muito mais grave, pois estende acusações maliciosas a quem não pode defender-se. Difamar um irmão é um grave pecado. A difamação se relaciona intimamente com a maledicência, a qual não deve estar presente na vida do cristão (Tiago 4:11). O maledicente é aquele que fala mal do irmão, não apenas o caluniando, mas fazendo crer a outros, sua suposta má conduta ou erro. Quem difama, comete homicídio no sentido de assassinar a honra e a moral da pessoa difamada e, com isto, destrói sua reputação e vida. Segundo a Bíblia, a difamação é como um veneno de áspide, ou seja, um veneno mortal sob a língua, o qual é inoculado no pensamento e coração de quem ouve a maledicência (Romanos 3:13-14). Esta é a raiz que conduz ao homicídio e Jesus afirma que esta pessoa é culpada do fogo do inferno.

Finalizando, para os escribas e fariseus somente era culpado quem cometia o homicídio. Deus, no entanto, não se conforma com ações externas, mas com a realidade espiritual do coração. Em vista disso, vemos o ensino de Jesus no texto acima, mas quem está pronto para ouvir? Não existe nada que possa justificar a maledicência contra o irmão, pois isto é um ato de impiedade que expõe o maldizente ao juízo de Deus.

Momento de Reflexão: Sem palavras! Releia o texto novamente.

No amor de Deus Pai,

Pr. Natanael Gonçalves