Mordomia

Mordomia

O dinheiro é um artigo que pode ser usado como passaporte universal para todos os lugares, exceto para o céu. Pode ser também o provedor universal de todas as coisas, exceto a felicidade. Também é o provedor universal da avareza e da competição. Pode ser um servo maravilhoso, o que o é para poucos, mas para a maioria das pessoas que habitam este planeta, ele não passa de um senhor cruel e implacável. Poderia acrescentar ainda a definição de Paulo: “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”(1 Tm 6:10), acrescentando que ele contribui para encher o mundo de corrupção e de concupiscência.

O DIREITO DE USAR A RIQUEZA

Lucas 16:1-13

Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens. Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela. Disse o administrador consigo mesmo: Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão?       Respondeu ele: Cem cados de azeite. Então, disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinquenta. Depois, perguntou a outro: Tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz. E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso? Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Um mordomo insensato (vv. 1, 2).

Um mordomo ou despenseiro é uma pessoa que administra os bens de outra pessoa. Ele próprio não possui esses bens, mas tem o privilégio de desfrutá-los e de usá-los de modo a beneficiar seu senhor. O mais importante para o mordomo é servir ao senhor fielmente (1 Co 4:2). Ao ver as riquezas a seu redor, o mordomo deve lembrar que pertencem ao senhor e que não são propriedade particular dele, de modo que devem ser usadas de maneira a agradar e beneficiar o senhor. O mordomo desta história esqueceu isso e começou a agir como se fosse o proprietário. Tornou-se um “mordomo pródigo”, que esbanjava os bens do senhor. Quando o senhor ficou sabendo dessa situação, pediu, no mesmo instante, um inventário de seus bens e uma auditoria dos livros de registro e despediu o mordomo. Antes de julgar esse homem com severidade, devemos examinar nossa vida e determinar nossa fidelidade como mordomos do que Deus nos dá.

Em primeiro lugar,somos mordomos das riquezas materiais que temos, quer sejam muitas quer poucas; um dia, teremos de prestar contas diante de Deus do modo de adquiri-las e de usá-las. A mordomia cristã vai além do pagamento do dízimo de nossa renda, ficando o restante para ser usado como nos parecer. A verdadeira mordomia significa reconhecimento e gratidão por tudo o que temos (Deuteronômio 8:11-18), e sobretudo, porque fazemos uso de todas as coisas conforme a direção do Senhor. Devolver 10% de nossa renda a Deus é uma boa forma de começar a exercitar a mordomia fiel, mas precisamos lembrar que Deus também deve controlar o que fazemos com os outros 90%.

Também somos mordomos de nosso tempo (Ef 5:15-17). A expressão “remir o tempo” é um termo comercial, que significa “adquirir oportunidades”. O tempo é a eternidade, transformada em pequenas porções de minutos preciosos e confiada a nós. Pode ser usada com sabedoria ou com negligência. A principal lição dessa narrativa é que o mordomo, por mais desonesto que tenha sido, usou a oportunidade com sabedoria e se preparou para o futuro. Para ele, a vida deixou de ser “divertimento” e se tornou um “investimento”. Como cristãos, também somos mordomos das habilidades e dos dons que Deus nos deu (1 Pe 4:10), e devemos usá-los para servir aos semelhantes. O ladrão diz: “o que é seu é meu, dá-me!” O egoísta diz: “o que é meu, é meu, fico com tudo!”, mas o cristão deve dizer: “o que é meu é uma dádiva de Deus, vou compartilhá-la!”. Somos mordomos e devemos usar nossas habilidades para ganhar os perdidos, encorajar outros cristãos e suprir as necessidades dos aflitos.

Por fim, o povo de Deus é mordomo do evangelho (1 Ts 2:4). Deus confiou-nos o tesouro de sua verdade (2 Co 4:7), e é preciso guardar esse tesouro (1 Tm 6:20) e investi-lo na vida de outros (2 Tm 2:2). O inimigo deseja roubar esse tesouro da igreja (Jd 3, 4), a qual, portanto, precisa manter-se vigilante e ter coragem. Assim como o mordomo da história, um dia teremos de prestar contas da forma como administramos os nossos bens (Rm 14:10-12; 2 Co 5:10).Como alguém disse: “Deus nos chamou para participar do jogo, não para cuidar do placar”. Quem for mordomo fiel, receberá generosa recompensa de Deus e essa recompensa glorificará seu nome.

Continua amanhã