E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno (Mateus 5:30).

Depois de apresentar o exemplo do olho, o Senhor fala de outro: a mão. Interessante notar que primeiro Jesus mencionou o membro do corpo que gera o desejo por meio da visão, para, em seguida, destacar aquele que produz a ação. O olho cobiça e a mão executa o desejo. A mão direita é figura de poder, a qual representa a disposição da ação. Jesus, neste exemplo, demonstra que o mais importante e vital, deve ser descartado se representar uma forma potencial para pecar.

Este exemplo do Senhor enfatiza o ensino anterior (verso 29), e justifica a ação drástica para evitar o pecado. Não obstante, é bom lembrar que devemos sempre considerar a linguagem figurada que Jesus está usando em sua instrução. Provavelmente, Paulo lembrou deste ensino e escreveu em 2 Coríntios 7.1: Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

A vida de santidade não é uma opção, mas uma forma natural de vida para o cristão verdadeiro. Assim sendo, o cristão não é santo por imposição, nem tampouco por convicção, mas por comunhão com Cristo. Quem foi regenerado, possui uma nova posição espiritual e, na afirmação paulina, a nova criatura está em Cristo. Portanto, quem desfruta de tal posição, tem a capacidade de viver como Deus ordena, isto é, viver no mundo, mas não pertencer a ele.

Quando se fala de relação com Cristo, não se pode entender como uma experiência pontual ou como algo que afeta certas áreas da vida cristã. Não! Esta relação diz respeito à vida em si mesma. Para Paulo, “o viver é Cristo” (Filipenses 1:21) e, consequentemente, Cristo é a razão da vida, a forma da vida e a esperança da vida. Deste modo, como Ele é santo assim também quem vive sua vida n’Ele, é santo por comunhão com Ele. Portanto, a vida cristã não é um assunto de religião, nem de normas morais, mas de comunhão com Cristo.

Por fim, o Espírito Santo reproduz no cristão verdadeiro a pessoa de Jesus, para que, em tudo, seja semelhante a Ele (Romanos 8.29). A santidade de Cristo se faz presente como uma experiência de vida prática naquele que se deixa conduzir pelo Espírito (Gálatas 5:16). Quando isto é uma realidade, a pessoa fará de tudo para se distanciar do viver na carne, inclusive, aplicando de modo figurado o que Jesus disse, ela arrancará o olho e cortará a mão.

Momento de Reflexão: A natureza terrena está viva e ativa no ser humano. Ela é inimiga de Deus e o homem que é dirigido por ela, está fadado à perdição. A ordem das Escrituras para o cristão é: “fazei morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3.5). Isto também representa a figura de linguagem do arrancar o olho e cortar a mão. Esta prática deve ser diária em nossa vida. É na sua?

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves