Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno (Mateus 5.29). 

Este texto, segue o anterior onde Jesus ensina sobre o adultério. Para tal pecado, se requer uma ação decidida e firme. A frase “se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o”, é enfática e contém um tom de exagero (hipérbole). No entanto, o que o Senhor pretende, é uma atitude drástica contra o pecado. Todavia, não se deve entender que essa atitude seja tomada literalmente, pois Jesus não está recomendando e nem justificando a mutilação do corpo. Deve-se compreender o ensino do Senhor como uma exigência para eliminar da vida, tudo aquilo que possa servir como instrumento à tentação. O que Jesus está dizendo na frase que destaquei é que o olhar pode dar ocasião à queda, visto que o sentido aponta para uma armadilha. 

O ensino de Cristo revela que não existe coisa de tão alto valor que não possa ser descartada. Deste modo, o sacrifício é para se evitar o pecado que impede o cristão de viver em consagração.  Não se trata de mutilação de um membro, mas de um controle que se deve exercer sobre o mesmo. Os estímulos externos que entram pelos olhos, podem conduzir a apetites perversos. Por isto, evitar certas leituras, deixar de ver certos programas no cinema, no teatro ou na televisão, que são carregados de imoralidade ou que incitam à perversão, é uma forma de arrancar o olho. O que aprendemos até aqui? Aprendemos que Jesus está requerendo uma ação direta e eficaz contra qualquer coisa que conduza a uma prática pecaminosa. 

A razão para uma atitude tão decidida se fundamenta nas consequências que podem vir no futuro. A sentença: pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno, revela que é melhor perder algo importante, do que perder a vida. Outra tradução poderia ser: é mais vantajoso para você a destruição de um dos teus membros, do que perder a vida definitivamente. O pecado é um elemento que destrói, de modo que é melhor andar amputado do que perder a vida por causa do pecado. 

Para quem o Senhor falava? Sem definir os seus ouvintes, é bom observar os tempos de hoje. Não resta dúvida de que há pessoas na igreja que se passam por cristãos, mas nunca creram verdadeiramente em Jesus como Seu Salvador pessoal. Estes praticam o pecado ocultamente para que não se descubra a hipocrisia reinante em suas vidas. Para estes, o ensino acerta o alvo diretamente. A prática habitual do pecado é uma evidência de que a pessoa não passou pelo novo nascimento, haja vista que, quem teve tal experiência, não vive pecando (1 João 3:9).  

Caminhando para o fim do comentário, desejo destacar que uma ação pecaminosa voluntária e contínua, pode trazer como consequência, a perda da vida física como disciplina divina. Vemos isso na Palavra de Deus. Por exemplo; de forma genérica, o apóstolo João fala de pecado que conduz à morte física (1 João 5:16). Uma dessas consequências pode ser resultado de um pecado de imoralidade, cometido de forma consciente (1 Coríntios 5:4-5). A mentira também pode acarretar um juízo semelhante (Atos 5:1-10). As divisões dentro da igreja geraram o juízo de morte física sobre alguns (1 Coríntios 11:30). Portanto, o cristão deve prestar atenção ao pecado consciente e voluntário, sobre o qual o escritor aos Hebreus traz uma solene advertência (Hebreus 10:26-31). 

Momento de Reflexão: Que dias difíceis estamos vivendo! As mensagens contra o pecado estão raras em muitos púlpitos e as pessoas não estão atentas a este elemento destruidor.  Muitos se justificam que estão debaixo da graça e, por isso, não há problema em flertar com aquilo que fere o coração de Deus. Minha pergunta para fazer você pensar: Como você considera a questão do pecado em sua vida? 

No amor de Deus, 

Pr. Natanael Gonçalves