Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta (Mateus 5.23–24).

Os judeus estavam acostumados a ofertar de forma voluntária ao Senhor, como um ato de adoração pessoal. Jesus, ao ensinar sobre a oferta como prática de culto, envolve este ensino com o anterior mediante a conjunção conclusiva, portanto. Isto indica que, o que irá ensinar, está intimamente vinculado com o que havia ensinado antes. O Senhor irá expressar as consequências que o desprezo e o ódio a um irmão, acarretam em relação à adoração a Deus. O tema começa com algo muito comum e conhecido a todos: um israelita, segundo o costume, levava uma oferta ao altar (Gênesis 4:3-5; Êxodo 25:2; Levítico 1:2; Salmo 66:13). A oferta era uma expressão de amor e gratidão, mas também um ato de adoração a Deus.

Observe que o ofertante estava oferecendo o sacrifício, quando, de repente, se recordou de uma relação afetada entre ele e um de seus irmãos. Note que a lembrança era de que teu irmão tem alguma coisa contra ti. Logo, não se tratava de algo que aquele irmão havia feito contra o que trazia a oferta, em cujo caso, seria suficiente ao ofertante, outorgar um perdão amplo e generoso ao ofensor, conforme Jesus havia ensinado em outra ocasião: E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas (Marcos 11.25). O caso que o Senhor apresenta, se refere àquele que vai render gratidão, culto e adoração a Deus, mediante a oferta trazida ao altar, e que se recorda de ter ofendido a um irmão. O sentido é claro: há um irmão ofendido por aquele está adorando. A ofensa, segundo o ensino anterior (versos 21-22), impede a relação e comunhão com Deus (ver as publicações Fator ira, aqui e aqui).

Os judeus estavam acostumados a separar esses dois aspectos. A pergunta que se fazia era: que relação haveria entre um irmão ofendido com o outro que era o seu ofensor? Jesus, então, ensina que a inimizade impede a adoração. Com toda a clareza, falando ao suposto adorador, lhe indica que deve deixar o sacrifício de culto que estava fazendo. Segundo alguns linguistas, o verbo no grego é enfático e equivale dizer: não te preocupes pelo sacrifício, abandona a oferta, suspenda a ação e a considera como algo secundário, pois há uma ação que demanda urgência.

Deus não aceita nenhuma oferta que saia de um coração contaminado, pois Ele vê primeiro o coração e depois a oferta (Gênesis 4:5). O culto a Deus é um sacrifício de louvor que deve ser feito sem ira nem contenda (1 Timóteo 2:8). Portanto, adoração sem uma prévia restauração e reconciliação com o irmão ofendido, não é aceita por Deus. Trata-se apenas de um ato religioso que não pode expressar culto ao Altíssimo. O Senhor já havia advertido o povo por intermédio do profeta Isaías: Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue (Isaías 1:15). O final deste versículo fala de mãos cheias de sangue. Chamo a sua atenção porque essa expressão pode ocorrer, não literalmente, mas no coração, intencionalmente. Esta é mais uma conexão com os versos 21-22.

Finalizando, é preciso lembrar que essa relação harmoniosa com o irmão, alcança também, e talvez prioritariamente, a relação no matrimônio. Uma relação de comunhão e convivência interrompida por uma ação dos cônjuges, impede que a oração seja atendida e respondida por Deus (1 Pedro 3:7). Não pode haver comunhão com Deus, se não há comunhão também com os irmãos (1 João 1:3). Pense sobre isto!

N’Aquele que devemos adorar e cultuar com um coração sincero,

Pr. Natanael Gonçalves