PalavradeDeusA Marca da Palavra – Parte I

Estamos caminhando para o final do capítulo primeiro. Poderia ter escolhido um título relacionado ao amor para comentar esses últimos versículos, uma vez que ele aparece de forma incisiva no texto. Ocorre, porém, que Pedro destaca que esse amor é fruto da regeneração operada pela semente incorruptível da Palavra de Deus. Assim sendo, optei por um título que identifica o cristão comprometido, todavia não o simpatizante. Vamos ao texto:

1 Pedro 1: 22-25Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.

A Palavra de Deus é o instrumento que Ele utiliza para levar a termo Seus propósitos na vida do cristão. Recordemos que no verso 13, Pedro mandou a seus leitores que preparassem o entendimento porque um dos maiores desafios para a mente humana é ouvir e atender o que o Senhor nos diz através das Escrituras. Em recentes publicações (aqui, aqui e aqui), mencionamos três imperativos: “esperai” (v.13), “sede santos” (vs. 14-16) e “andai em temor” (vs. 17-21). A esta lista, juntamos mais um para nossa meditação: “Amai-vos uns aos outros” (v.22).

  • O amor fraternal – 1:22-25

Jesus deu-nos um novo mandamento: “que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” e acrescentou que o teste para saber se somos “seus discípulos” é se “vos amardes uns aos outros” (João 13:34-35). Entre os irmãos em Cristo, o que os identifica como tais, é o amor. Essa é a identidade do cristão! Escrevendo aos que sofriam em meio a uma sociedade hostil, Pedro recorda-lhes o dever de exibir o amor fraternal. A tensão que os cristãos experimentam ao enfrentar a oposição do mundo, pode uni-los ou distanciá-los. O amor é necessário para que se apoiem e se animem nas circunstâncias difíceis. Um modo de pregar as realidades do poder do evangelho é manifestar amor, harmonia e apoio mútuo entre os irmãos. Uma comunidade que mostra amor é um milagre divino e, por força, atrai a outros para que recebam a Cristo. Toda pessoa deseja ser parte de um grupo onde ela possa sentir esse tipo de amor.

  • O amor brota de um coração redimido – 1:22

Pedro lembra aos leitores que somente uma pessoa que já experimentou a purificação de Deus em sua vida pode amar os demais do modo como Jesus amou. Como acontece a purificação? A obediência à verdade faz referência ao ato de crer na mensagem da Salvação (1:2). Crer é obedecer. Quando cremos em Cristo, nosso Salvador, Ele perdoa nossos pecados e nos dá uma nova natureza. Por isso desejamos amar (Rm 5:5) aos irmãos, porque pertencemos a uma nova família. O amor fraternal mostra aos irmãos em Cristo que eles tem muitas coisas em comum. Por exemplo, em uma família seus membros possuem os mesmos pais, compartilham a mesma casa e carregam as mesmas características e interesses familiares. Do lado espiritual sucede a mesma coisa: Possuímos a mesma natureza e o Espírito Santo que Deus nos concedeu. Temos que compartilhar os mesmos propósitos e a conduta que Deus nos manda. Estamos obrigados a amarmos mutuamente.

1 João 4.20: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”

  • O amor é fruto do Espírito Santo – 1:22.

Reconhecemos que amar alguns irmãos pode ser mais difícil que outros, pois muitos possuem características que não nos atraem. Todavia, todos nós possuímos uma natureza egoísta que luta contra a obrigação que temos em buscar o bem de outros irmãos. Não é isso o que nos diz a Palavra?

Gálatas 5.17: Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis.

A despeito de tudo, o Espírito de Deus que vive em nós, nos motiva e nos capacita para amarmos os irmãos.

Gálatas 5.22: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”.

Ao finalizar, faço menção de que algumas vezes tenho destacado que há uma diferença entre o cristão comprometido e o nominal. Será que podemos reconhecer um e outro? Sem dúvida! Leia novamente o verso 22 de Gálatas 5. O cristão fiel é aquele que produz o fruto descrito ali.

Para refletir: Deixo algumas perguntas que, ao respondê-las, você exercita a lembrança do imperativo de Deus para sua vida. Então, façamos um exercício: Quais são as características do amor que o cristão deve ter? Pedro nos dá uma razão para amarmos uns aos outros? Qual é? Qual é o efeito da Palavra de Deus na vida do verdadeiro cristão e nas suas relações com outros?

Em Cristo, que nos amou profundamente,

Pr. Natanael Gonçalves