cidadania

Estrangeiros & Cidadãos

O cristão possui dupla cidadania! Por isso, suas responsabilidades são tanto celestiais como terrenas. Pedro aclara que a nossa primeira lealdade deve ser a Deus. Temos deveres por pertencermos a uma sociedade e, um deles, é o maravilhoso privilégio de sermos embaixadores de Deus nesta terra, porém sempre levando um estilo de vida que se caracteriza por atitudes e conduta de um cidadão da pátria celestial.

Os Estrangeiros 2:11-12

Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma, tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.

No verso 11, Pedro apela aos leitores com ternura e fervor dizendo: “amados, peço-vos.” Estas primeiras palavras do versículo 11 mostram a seriedade e a importância das normas de conduta que o autor começa a enumerar a seus irmãos na Ásia Menor. Antes de iniciar sua lista, o apóstolo identifica os crentes como estrangeiros e peregrinos. Contudo, sem importar de que país procedem, eles não pertencem a este mundo, pois são apenas residentes temporais. Filipenses 3:20-21 e Hebreus 11:8-10 nos recordam que somos cidadãos da pátria Celestial.

A mensagem do apóstolo, nos conduz ao entendimento de que não podemos esperar que o sistema nos trate como seus. Devemos observar que, neste mundo, não fincamos raízes e nem estaremos aqui para sempre, pois vamos a passos largos para chegar a outra terra. Nossa relação com o governo, patrão, cônjuge e a sociedade em geral, deve ser evidenciada e vista por todos, com destaque, por sermos filhos do Altíssimo. Antes de entrar em sua dissertação a partir do verso 13, Pedro especifica que possuímos duas responsabilidades em geral:

1) Que vos abstenhais dos desejos carnais (v.11)

2) Viver de modo honesto entre os gentios (v.12)

Os desejos carnais, podem ser toda forma de egoísmo que brota da nossa natureza terrena. As boas obras do verso 12 não devem ser entendidas somente como atos de bondade e piedade para com os necessitados. Para Pedro, incluem a obediência às leis, pagar os impostos, honrar e compreender o cônjuge e mostrar afeto aos irmãos em Cristo. Há três razões pelas quais devemos nos conduzir desta maneira:

1. Somos cidadãos do Céu. A vontade de Deus é nossa norma e exemplo da sociedade.

2. Devemos abster-nos dos desejos carnais, porque a nossa natureza humana põe em perigo o nosso bem estar espiritual. Os desejos da carne fazem guerra contra a alma.

3. A conduta do crente influencia os que não conhecem a Cristo. Gentios aqui, não se refere aos não judeus, mas aqueles que não creem em Cristo.

Possivelmente os irmãos da Ásia Menor eram vítimas, não só da calúnia de seus vizinhos, mas também de acusações por parte das autoridades. Algumas vezes os cidadãos de um país, olham para os estrangeiros como diferentes e os criticam por isso (4:4). Existiam muitos motivos de suspeita contra eles, possivelmente por razões como se sugere em 3:16-17. Não obstante, para Pedro, haverá um dia em que a graça poderá alcança-los. Nesse dia, o da visitação, o Espírito Santo atuará neles e terão oportunidade de reconhecer que a conduta dos cristãos é apropriada e que Deus está neles. Glorificarão ao Altíssimo e aceitarão a Cristo!

Aqui há outro princípio importante: Para influenciarmos as pessoas ao nosso redor, não devemos viver isolados, uma vez que elas precisam ver em nós, o testemunho do evangelho por meio de nossa boa conduta.

Para refletir: Como cidadão (ã) celestial, sua conduta em meio à sociedade, se conforma com a petição de Pedro nos versos citados? Se temos a cidadania celeste, por que nos ocupamos tanto com a terrestre? Se nos ocupamos com a vida nesta terra, essa ocupação diz respeito a planos e projetos para termos uma qualidade de vida melhor ou nos ocupamos na expansão do Reino de Deus tendo como primazia o Senhor em nossas vidas? Pense a respeito e responda a você mesmo (a).

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves