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O Tempo que Resta – Parte Final

Pedro alerta a comunidade cristã fazendo um contraponto entre o modo de vida do verdadeiro cristão e do incrédulo. Ao construir o seu pensamento, argumenta que o fim de todas as coisas está próximo. Leiamos os versículos de 4 a 7 de 1 Pedro:

Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos; pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus. Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.

As pessoas que não creem em Cristo como Salvador, possuem um estilo de vida que aos seus próprios olhos, lhes parece normal. Para eles, nossas atitudes são estranhas. Eles não conseguem entender o nosso modo de viver. O apóstolo declara, nos versos 4 e 5, que uma vida transformada pelo poder de Deus, provoca a hostilidade de quem rejeita o evangelho. Recordo-me ouvir acerca de uma moça drogada que vivia na prostituição. Essa moça se converteu e foi totalmente liberta, mas a própria família a hostilizou e a mãe chegou a dizer que preferia ver a filha morta. Este caso, bem como centenas de milhares de outros, comprovam a hostilidade ao evangelho, a qual é conspirada pelo mundo espiritual e se abate sobre os ímpios.

A frase “hão de dar conta“, ou “prestar contas“, possui uma grande abrangência. Estava meditando sobre o assunto e dando asas à imaginação quando um quadro vívido se descortinou: o ser humano, ao chegar a este mundo, nasce com uma ficha de contas correntes. Na coluna de débito já foi lançado um montante muito alto. Ainda não há crédito, portanto o saldo é devedor. Esse montante é representado pelo pecado. Quando ele recebe a Jesus, o débito é quitado na cruz. Se há rejeição, permanece o saldo devedor e com um agravante, ele aumenta a todo instante. Por isso, ele vai dar contas de sua vida ao Senhor que está preparado para julgar.

Todo aquele que não tiver o seu débito quitado na cruz do Calvário, se apresentará diante d’Ele, tanto o que já morreu, quanto aquele que estiver vivo nessa ocasião. Esse é o ensino de Pedro nesse texto. Acho interessante uma oração feita por uma grande quantidade de pessoas. Elas pedem a Maria e dizem: “Agora e na hora da nossa morte.” Isso me lembra alguém que trafegou a 120 km p/h., quando a velocidade era de 40 Km p/h. Antes da corte, o infrator disse não estar preocupado porque ele conhecia a mãe do juiz e lhe pediria para interceder a seu favor, portanto, pensava que sairia livre. Saiu de lá preso! A mãe do juiz não podia fazer coisa alguma por ele. Da mesma forma, o acerto de contas do homem é feito com Deus, baseado totalmente no sacrifício de Jesus. No dia do juízo, Cristo é o Juiz de todo aquele, cujo débito não foi pago antes da Corte Suprema.

O verso 6, nos lembra o que tratamos na publicação passada:

Porque, por isto, foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens, na carne, mas vivessem segundo Deus, em espírito.

Algumas interpretações tem sido dadas ao texto: Alguns acham, por esse versículo, que os mortos tiveram uma segunda oportunidade. Como vimos anteriormente, esse tipo de interpretação não possui apoio das Escrituras. Há, contudo, outro entendimento pelo qual podemos compreender perfeitamente o pensamento de Pedro.

1) O evangelho foi pregado aos mortos: Os mortos são aqueles que estavam vivos quando o evangelho foi pregado, mas que nos dias de Pedro eles estavam mortos. A expressão: “Para que fossem julgados segundo os homens”, fala exatamente da morte como o último efeito do pecado, isto é, um juízo. A morte é patrimônio de todo ser humano, por isso a expressão “segundo os homens” trata exatamente da questão da morte física.

2) A outra traz melhor entendimento: “os mortos” aqui, são os mortos espirituais (Jo 5:25). Pedro diz que os incrédulos acham estranho não vivermos como eles, mas na realidade, vivemos a vida com Cristo, possuímos a vida eterna. Não estamos mortos!

Note a observação que Pedro faz no verso 7: “o fim de todas as coisas está próximo”. Nesse particular, ele quer deixar impresso na mente do cristão a ideia de que seu tempo é limitado e que deve aproveitar as horas e os dias que lhe restam para cumprir a vontade de Deus. No verso 2, o autor fala do tempo que vos resta na carne”, ou seja, o resto da nossa vida na terra. Com isto em mente, somos levados a olhar para o futuro. Conscientes da brevidade da vida, seja pela volta de Cristo que está próxima, seja pelo tempo que nos resta na carne, algumas perguntas precisam ser feitas e respondidas por todos aqueles que são cristãos:

a) Quais são as atitudes e ações que devem ocupar o seu tempo de hoje em diante, até a vinda do Senhor? 


b) Como você está vivendo a sua vida cristã? 


c) Qual é o seu envolvimento com o Reino de 
Deus? 


d) Qual é o seu nível de comprometimento? 


Finalizando, talvez Pedro, em síntese, dissesse a você hoje: O fim está próximo!, vivam as suas vidas, não para vocês, mas para Deus, fazendo de coração a Sua vontade. Cultivem a moderação, a vigilância em oração, a hospitalidade, a linguagem sã, a paciência e o gozo nas tribulações.

Meu desejo é que esta palavra encontre pouso em seu coração,

Pr. Natanael Gonçalves